O que é miastenia, doença autoimune com que foi diagnosticado Alex Escobar
Apresentador da TV Globo foi submetido a cirurgia na quinta-feira, 6, para retirada de um tumor no timo, condição comum em pacientes com miastenia
O apresentador Alex Escobar foi submetido na quinta-feira, 6, a uma cirurgia para retirada de um “tumor de aparência benigna do timo”, órgão localizado na altura do peito que tem uma função importante no sistema imunológico. A operação aconteceu na Casa de Saúde São José, na Zona Sul do Rio de Janeiro, e foi bem-sucedida.
A informação foi divulgada pelo Globo Esporte, da TV Globo, onde o apresentador trabalha, e republicada por Escobar em seu perfil no Instagram. No fim de junho, o jornalista passou mal ao vivo durante a cobertura da Copa do Mundo, e decidiu voltar ao Brasil para “se dedicar ao diagnóstico e tratamento”. Ele foi diagnosticado com miastenia, uma doença autoimune que afeta a fala e a mastigação.
“Esse é um ano de ensinamentos, de pausas forçadas que obrigam a refletir, lidar com adversidade, respirar fundo, lutar, desabafar, chorar, se levantar. Não foi nada fácil me despedir da Copa e sem saber o que eu tinha. A volta pra casa no avião com muitas dúvidas, o diagnóstico que mostrava que a luta seria grande. Mas hoje dei um grande passo pra tudo voltar ao normal. Estou feliz. E no tempo certo estaremos juntos de novo”, escreveu Escobar nos comentários da publicação.
Em nota, a TV Globo informou que, com a descoberta do tumor no timo, os médicos que acompanham o apresentador recomendaram a cirurgia, e a expectativa agora “é que os principais sintomas da miastenia sejam totalmente controlados”. Ainda segundo a emissora, Escobar está de férias, programadas desde antes da Copa do Mundo. O apresentador está bem e fez exercícios físicos com frequência nas semanas anteriores à cirurgia.
O que é miastenia
A chamada miastenia gravis faz parte do grupo das doenças autoimunes, aquelas em que o sistema de defesa do corpo ataca “por engano” o próprio organismo.
A principal característica da miastenia é causar fraqueza nos chamados músculos voluntários, que incluem os músculos da face, da garganta, do diafragma e os que se conectam aos ossos. Esses músculos são essenciais para a respiração, a deglutição e os movimentos faciais.
O início da doença pode ser súbito e os sintomas podem não ser imediatamente reconhecidos como miastenia, segundo uma página dos Institutos Nacionais da Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês) com informações sobre a doença. Os sintomas da miastenia gravis incluem:
- Fraqueza dos músculos oculares (miastenia ocular);
- Queda de uma ou ambas as pálpebras (ptose);
- Visão turva ou dupla (diplopia);
- Alterações nas expressões faciais;
- Dificuldade para engolir;
- Falta de ar;
- Distúrbio da fala (disartria);
- Fraqueza nos braços, mãos, dedos, pernas e pescoço.
Em casos graves, conhecidos como “crise miastênica“, os músculos que controlam a respiração enfraquecem a tal ponto que a pessoa pode precisar do auxílio de um ventilador para respirar. Uma crise miastênica pode ser desencadeada por infecção, estresse, cirurgia ou reação adversa a medicamentos.
Segundo o NIH, aproximadamente 15% a 20% das pessoas com a doença apresentam pelo menos uma crise miastênica e até 50% delas podem não conseguir identificar o fator desencadeante.
Além disso, como o grau de fraqueza muscular pode variar entre os pacientes e a fraqueza é um sintoma comum de muitas outras doenças, pode ser difícil diagnosticar miastenia em pessoas que apresentam fraqueza leve ou cuja fraqueza se restringe a apenas alguns músculos.
A confirmação do diagnóstico envolve uma série de exames, incluindo exame físico e neurológico, eletromiografia de fibra única (EMG) e exames de sangue.
O que causa a doença e como funciona o tratamento
A miastenia gravis é considerada uma doença rara. Um documento do Ministério da Saúde publicado em 2020 aponta que a incidência da condição varia de 5 a 30 casos por milhão de habitantes por ano, e a prevalência é de 100 a 200 casos por milhão de habitantes, com um discreto predomínio em mulheres. A doença não é hereditária, mas ocasionalmente pode ocorrer em mais de um membro da mesma família.
Na maioria dos pacientes, a condição é causada por uma falha na forma como os sinais nervosos são enviados aos músculos.
O que acontece é que os anticorpos bloqueiam, alteram ou destroem os chamados receptores de acetilcolina (anti-AChR), o que impede a contração muscular.
É por isso que o tratamento da doença pode incluir medicamentos que retardam a degradação da acetilcolina na junção neuromuscular, a fim de ajudar a melhorar a transmissão neuromuscular e aumentar a força muscular.
Outras condições também podem coexistir com a miastenia. Segundo o documento do Ministério da Saúde sobre a doença, 70% dos pacientes têm hiperplasia (tumor benigno) de timo e aproximadamente 10% têm timoma, um tumor raro que se origina nas células do timo e tem potencial para comportamento maligno.
Por isso, é comum que os pacientes sejam submetidos a timectomia — a cirurgia que o apresentador Alex Escobar fez. No caso do jornalista, o tumor tinha “aparência benigna”, segundo comunicado da TV Globo.
De acordo com o NIH, ao remover a glândula timo, a operação pode reduzir os sintomas da doença, “possivelmente reequilibrando o sistema imunológico“.
Atualmente, não existe cura conhecida para a miastenia gravis, mas o tratamento ajuda a reduzir e melhorar a fraqueza muscular. Além disso, alguns casos podem entrar em remissão, seja temporária ou permanente, e a fraqueza muscular pode desaparecer completamente.
Um estudo financiado pelo Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Acidente Vascular Cerebral (NINDS, na sigla em inglês) feito com 126 pessoas com miastenia gravis com timoma e aquelas sem timoma visível constatou que a cirurgia de remoção do timo reduziu a fraqueza muscular e a necessidade de medicamentos imunossupressores.
“Remissões completas, estáveis e duradouras são o objetivo da timectomia e podem ocorrer em cerca de 50% dos indivíduos submetidos a esse procedimento“, afirma o NIH.







