Assine VEJA por R$2,00/semana
Continua após publicidade

O que a fome emocional tem a ver com a obesidade? Pesquisa explica

64% das pessoas dizem que comem em excesso para lidar com a ansiedade e estresse, o que pode levar a obesidade, doença ainda pouco diagnosticada no país

Por Simone Blanes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 13 jul 2023, 17h23 - Publicado em 13 jul 2023, 17h19

Uma pesquisa da ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica) e da Merck, realizada pelo instituto Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica), mostrou que 7 em cada 10 brasileiros sentem ou já sentiram fome emocional – quando uma pessoa come como forma de recompensa ou para lidar com suas emoções, e não por uma necessidade fisiológica de repor energia.

Dos entrevistados, 64% das pessoas concordam que comer em excesso é uma forma de lidar com a ansiedade e estresse, dados que revelam muito sobre a percepção do brasileiro com a alimentação e a obesidade, além de seus preconceitos e gatilhos emocionais. “A obesidade é uma doença crônica, heterogênea e recidivante, que deve ser diferenciada do ‘desejo social de emagrecer’”, afirma Bruno Halpern, presidente da ABESO.

Entre os participantes, 60% disseram que comeram chocolate, pizza ou outras guloseimas quando estavam estressados ou de mal humor, número que aumenta para 70%, quando se trata de jovens entre 18 a 24 anos. E 66% afirmaram sentir desejos repentinos e incontroláveis de comer doces ou frituras – sensação, conhecida como “craving”, caracterizada pela busca de prazer imediato, algo diretamente relacionado aos níveis de endorfina no cérebro, o “hormônio da felicidade”, que promove bem-estar e alivia o estresse. Entre as pessoas com obesidade, esse índice sobe para 75%.

De acordo com o levantamento, a incapacidade de controlar o desejo pela comida ocupa a segunda posição no ranking das principais causas da obesidade, mencionada por 40% das pessoas, ficando atrás do sedentarismo (58%). Os fatores genéticos, ficaram em terceiro lugar, com 37 % das respostas. “No entanto, é importante ressaltar que essa é uma percepção da população, e não necessariamente a realidade”, diz Halpern.

Doença pouco diagnosticada

Continua após a publicidade

Entre as pessoas obesas, somente 39% declaram que já receberam o diagnóstico da doença. “A obesidade é uma doença comum e muito pouco diagnosticada, menos ainda tratada. Muitos não buscam tratamento por achar que devem resolver sozinhos, por medo de serem julgados e por diversas outras razões”, diz o presidente da Abeso. “Buscar tratamento não é nenhum demérito”.

Muitas pessoas acreditam que é necessário atingir um índice de massa corporal (IMC) considerado “normal” para obter benefícios para a saúde, o que não é verdade. “Essa ideia errônea está associada a uma das principais razões para as altas taxas de desistência no tratamento da obesidade”, afirma Halpen. Segundo o especialista, a expectativa de alcançar uma normalização completa do IMC é raramente realizável, o que leva à frustração e à sensação de incapacidade por parte do paciente.

Segundo a pesquisa, aenas 1 em cada 100 participantes acredita que perder 5% do peso seja o necessário para que uma pessoa com sobrepeso ou obesidade reduza os riscos das complicações associadas à doença, e 6 em cada 100 acham que é preciso emagrecer 10% do peso.  Mas os estudos mostram que pequenas reduções de peso, de 3% a 5%, já trazem benefícios significativos na prevenção de doenças como hipertensão e diabetes.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a obesidade é uma doença crônica caracterizada pela presença de gordura corporal em quantidade que representa riscos à saúde do paciente. Cerca de 3 em cada 5 entrevistados reconhecem a obesidade como uma doença. Entretanto, um outro dado reforça o preconceito pelo qual os pacientes podem passar: 17% das pessoas acham que falta de vontade de emagrecer e acomodação são as causas da obesidade.

Continua após a publicidade

Automedicação

Pelos preconceitos e até vergonha de procurar um médico, muitas pessoas acabam tomando remédios por conta própria. Segundo uma pesquisa da MANUAL, startup britânica que trabalha com tratamentos para emagrecimento, 44% dos brasileiros que querem emagrecer com medicamentos, não tem indicação médica.

O levantamento feito com cerca de 20 mil homens e mulheres em cinco capitais do Brasil, também observou que 55% dos entrevistados já tentam emagrecer há pelo menos cinco anos e que as principais dificuldades até então foram a falta de motivação e a vontade de comer alimentos como doces e frituras, que envolve a fome emocional. “Há uma alta procura por esses medicamentos, por questões estéticas. Só entre as pessoas interessadas nos tratamentos de emagrecimento da MANUAL, 71% querem estar mais seguras com a própria aparência”, disse Rodrigo Brunetti, Country Manager da MANUAL no Brasil.

Vale ressaltar, porém, que sendo uma doença, o uso de remédios para emagrecer deve ser realizado com acompanhamento médico. E o tratamento adequado da obesidade requer uma abordagem de longo prazo, com foco em mudança de estilo de vida. “Embora a mudança no estilo de vida seja parte essencial do tratamento da obesidade, trata-se de uma doença complexa, influenciada por uma combinação de fatores adquiridos”, explica Fabiana Mandel Cyrulnik, Gerente médica de diabetes e obesidade da Merck, que recentemente lançou no Brasil o Contrave®, fármaco antiobesidade capaz de atuar no controle do “craving” por comida e da fome emocional, além de agir também no controle da fome fisióloga.

Continua após a publicidade

“Os medicamentos antiobesidade podem oferecer maior potência na perda de peso e, mais importante ainda, manutenção no peso perdido a longo prazo”, completa a médica, incluindo o novo fármaco que combina cloridrato de bupropiona 90 mg e cloridrato de naltrexona 8 mg em um único comprimido, sendo indicada para adultos com obesidade ou sobrepeso, que apresentem ao menos uma comorbidade, como hipertensão, diabetes tipo 2 ou dislipidemia (colesterol alto) e realizada por receita controlada, com tratamento acompanhado por um médico.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

O Brasil está mudando. O tempo todo.

Acompanhe por VEJA.

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou

Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.