Um estudo publicado nesta terça-feira 30, na revista Radiology, da Radiological Society of North America (RSNA), aponta que certas características do tecido mamário aparentes na ressonância magnética estão diretamente ligadas ao risco futuro de um segundo câncer de mama em mulheres com histórico da doença.
Entre elas estão as mamas densas com maior proporção de tecido fibroglandular, o que pode obscurecer as lesões na mamografia, além de ser fator de risco independente para esse tipo de câncer; e o realce do parênquima de fundo (BPE) na ressonância magnética da mama. Esse BPE refere-se ao clareamento do tecido de fundo no exame, após a administração de um agente de contraste. O grau de BPE pode variar e acredita-se que esteja relacionado a alterações no suprimento sanguíneo e na permeabilidade do tecido mamário, que é afetado pelo estado hormonal.
Mesmo com os avanços no tratamento e a detecção precoce, que promove maior sobrevivência entre as mulheres, o câncer de mama pode voltar. Por isso, a ressonância magnética de mama tornou-se o melhor método para imagens de pessoas com histórico pessoal da doença. Estudos anteriores também mostraram que esse exame da mama tem uma taxa de detecção de câncer mais alta do que a mamografia.
“A ressonância magnética de mama de vigilância pós-operatória está sendo cada vez mais realizada de acordo com a recomendação anual do American College of Radiology para mulheres com mamas densas ou diagnosticadas com câncer de mama antes dos 50 anos”, afirmou Su Hyun Lee, médica do Departamento de Radiologia do Hospital da Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul, e principal autora do estudo.
O tratamento do câncer de mama na forma de radioterapia, quimioterapia ou terapia endócrina também pode alterar o BPE na mama tratada. Vale ressaltar que o BPE na ressonância magnética de mama com contraste é um fator de risco conhecido para câncer de mama, mas ainda não se sabe ao certo sobre essas ligações para o risco da reincidência.
Nessa pesquisa, das 2.668 mulheres participantes, 109 desenvolveram um segundo câncer de mama em um acompanhamento médio de 5,8 anos. O BPE leve, moderado ou acentuado na RM de vigilância da mama foi independentemente associado a um risco aumentado de um segundo câncer de mama futuro em comparação com o BPE mínimo.
“Os resultados sugerem que o BPE na RM de vigilância pós-operatória pode indicar a resposta ao tratamento, mas pode ser um preditor do risco modificado de um segundo câncer após o tratamento em mulheres com histórico da doença”, explicou Su.
Segundo a médica, os resultados do estudo podem ajudar a estratificar o risco de um segundo câncer de mama nessas mulheres e estabelecer estratégias personalizadas de vigilância por imagem em termos de modalidade e seleção de intervalo de monitoramento. “Por exemplo, mulheres com BPE mínimo na ressonância magnética de mama podem não precisar mais se submeter ao exame com contraste todos os anos”.
Outros fatores de risco para o câncer de mama, atualmente o mais diagnosticado e a principal causa de morte relacionada ao câncer em mulheres em todo o mundo, incluem idade de diagnóstico, presença de mutações genéticas ligadas à doença e expressão de receptores hormonais no câncer de mama inicial.
De acordo com a especialista, estudos futuros devem abordar a ligação entre as alterações do BPE na triagem ou ressonância magnética de mama pré-operatória e no exame de vigilância pós-operatória, além do desenvolvimento de um segundo câncer de mama. “Espero que os modelos de risco usem mamografia, ultrassom e ressonância magnética juntos. Essa abordagem levará a estratégias de vigilância mais personalizadas para mulheres com histórico de câncer de mama”, concluiu.