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O efeito de canetas como Ozempic nos seus ossos

Nova pesquisa muda as perspectivas sobre o impacto das 'canetas emagrecedoras' no risco de fraturas

Por Carlos Eduardo Barra Couri Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 jun 2026, 14h08 | Atualizado em 17 jun 2026, 14h10
O efeito de canetas como Ozempic nos seus ossos Priorizar nos meus resultados Google

A popularização das canetas à base de semaglutida trouxe uma pergunta inevitável aos consultórios: perder peso com rapidez pode prejudicar os ossos? A dúvida faz sentido. Em algumas situações, o processo de emagrecimento intenso se associa à diminuição de massa óssea, o que aumenta o receio de fraturas, sobretudo em pessoas mais velhas ou já vulneráveis.

Pois um estudo apresentado no ENDO 2026, congresso anual da Endocrine Society, acrescenta uma peça nova a essa discussão. Em pessoas com diabetes tipo 2, o uso do Ozempic não só reduziu o índice de massa corporal (IMC) como foi associado a uma queda de 15% no risco de fraturas quando comparado a outros medicamentos usados para perda de peso.

A análise foi retrospectiva, feita a partir de prontuários eletrônicos de uma base de dados de 161 milhões de pacientes atendidos em hospitais comunitários e centros acadêmicos nos Estados Unidos. Os pesquisadores avaliaram adultos com diabetes tipo 2, sem histórico prévio de fraturas e sem uso de remédios para osteoporose, entre janeiro de 2016 e dezembro de 2023.

No grupo principal, 26.324 pessoas usaram semaglutida. O grupo de comparação reuniu 33.555 pacientes tratados com dulaglutida, fentermina/topiramato ou bupropiona/naltrexona, medicações prescritas para controle da glicemia ou do peso. Ao final, foram registradas 794 fraturas entre os usuários de semaglutida, contra 1.045 no grupo controle.

O achado é relevante porque vai na contramão de um temor comum: o de que toda perda de peso induzida por remédios necessariamente fragilizaria o esqueleto.

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Mas a leitura precisa ser cuidadosa. O estudo não prova que a semaglutida protege diretamente os ossos. Ele mostra uma associação, não uma relação definitiva de causa e efeito.

Há outras limitações importantes. Por ser uma análise retrospectiva, baseada em dados já existentes, fatores não medidos podem ter influenciado o resultado. Além disso, a comparação envolveu medicamentos diferentes entre si, incluindo outro agonista de GLP-1, a dulaglutida, e combinações farmacológicas com mecanismos de ação distintos.

Por isso, os próprios autores defendem estudos prospectivos para confirmar se há, de fato, um efeito protetor da semaglutida sobre a saúde óssea.

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Ainda assim, a notícia é animadora para um público específico: pessoas com diabetes tipo 2 que precisam controlar glicemia e peso, mas carregam preocupação com fraturas. O diabetes, por si só, já pode aumentar o risco de problemas ósseos. Se estudos futuros confirmarem esse sinal, a saúde dos ossos poderá entrar com mais força na escolha entre diferentes estratégias de tratamento.

Na prática

Para quem usa ou pensa em usar semaglutida, a recomendação não muda na prática: nada de automedicação. A decisão deve considerar indicação correta, dose, idade, risco de osteoporose, histórico de quedas, alimentação, consumo de proteínas, vitamina D, cálcio e prática de atividade física.

Também vale lembrar que remédio não substitui atividade física. Exercícios de força e equilíbrio continuam essenciais para proteger ossos, preservar massa magra e reduzir risco de quedas. A caneta pode ajudar no controle metabólico e no peso, mas a manutenção da saúde óssea depende de uma abordagem mais ampla.

O novo estudo, portanto, não encerra o debate. Ele melhora o tom da conversa. Em vez de enxergar a semaglutida apenas como uma ameaça potencial aos ossos, os pesquisadores agora investigam se ela pode ter um papel mais favorável do que se imaginava. É uma hipótese promissora.

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