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O cochilo pode criar memórias falsas, mostra estudo

Segundo pesquisa inglesa, são as atividades cerebrais rápidas que ocorrem durante o período de descanso que provocam o fenômeno

Por Da Redação
Atualizado em 4 Maio 2018, 17h17 - Publicado em 3 Maio 2018, 17h49

Sabe quando você lembra de algo, mas tem a sensação de que nunca viveu de verdade a lembrança? Pois bem, um estudo recente publicado na revista Neuropsychologia afirma que essas lembranças, conhecidas como “falsas memórias”, são provocadas pelos “fusos de  sono”, que são atividades cerebrais rápidas que ocorrem durante o período de descanso. Esses fusos ocorrem em um dos estágios mais leves do sono, chamado de estágio 2, que é definido por uma frequência cardíaca lenta e sem movimento ocular.

Falsas memórias e o sono

De acordo com o Live Science, os pesquisadores da Universidade de Lancaster, na Inglaterra, recrutaram 32 estudantes saudáveis que tinham baixo consumo de cafeína e os dividiram em dois grupos: o grupo do cochilo e o grupo desperto. Antes de serem monitorados por um dispositivo de polissonografia – exame que mede a atividade respiratória, muscular e cerebral durante o sono -, cada estudante recebeu algumas palavras referentes ao mesmo tópico.

Depois de monitorarem as atividades cerebrais dos estudantes por algum tempo, os pesquisadores mostraram novamente uma série de palavras aos participantes (algumas delas eram novas) para saber se eles lembravam das que haviam recebido antes. Os resultados mostraram que os alunos que cochilaram eram significativamente mais propensos a lembrar de palavras que na verdade não tinham visto anteriormente. Segundo o psicólogo John Shaw, um dos autores da pesquisa, essa descoberta mostra que os fusos do sono estão criando acidentalmente memórias falsas.

Durante o estudo, os cientistas ainda descobriram que o lado direito do cérebro dos voluntários estava mais suscetível à criação de falsas memórias. Essa revelação aconteceu depois algumas palavras serem colocadas mais à direita ou à esquerda do campo de visão dos estudantes. As palavras que apareceram no campo direito foram mais “recordadas”, mesmo que não tivessem sido mostradas antes.

A comunidade científica já desconfiava que os fusos do sono desempenham papel importante na consolidação de memória de curto prazo em arquivos de longo prazo no cérebro, assim como podem auxiliar no desenvolvimento cortical, local em que ocorre o processo neuronal mais sofisticado do cérebro. “O cérebro adormecido gasta muito tempo e esforço tentando identificar os aspectos mais importantes do que foi aprendido durante o dia anterior”, comentou Robert Stickgold, diretor do Centro de Sono e Cognição do Centro Médico Beth Israel Deaconess, nos Estados Unidos.

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