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Número de crianças diagnosticadas com TDAH aumentou 66% em dez anos nos EUA

De acordo com levantamento, 10,4 milhões de jovens até 18 anos receberam o diagnóstico em 2010 no país

Por Da Redação - 20 mar 2012, 10h44

Um novo estudo sobre o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) feito nos Estados Unidos mostrou que, no país, o número de crianças diagnosticadas com o problema aumentou 66% em dez anos. O levantamento, que foi feito pela Faculdade de Medicina Feiberg, da Universidade de Northwestern, nos Estados Unidos, também analisou outras mudanças que ocorreram entre os anos de 2000 e 2010 em relação ao diagnóstico e tratamento de TDAH. As conclusões da pesquisa foram publicadas na edição deste mês do periódico American Pediatrics.

Mudanças em relação ao TDAH

Alterações observadas em relação a tratamento e diagnóstico do transtorno em jovens menores de 18 anos dos Estados Unidos entre 2000 e 2010

  1. • O número aumentou 66% (de 6,2 milhões para 10,4 milhões)
  2. • Os medicamentos mais utilizado para o tratamento de TDAH foram as drogas psicoestimulantes
  3. • O uso de drogas psicoestimulantes diminuiu de 96% para 87% em relação a todos os tratamentos recomendados
  4. • Maioria do diagnóstico foi dada por clínicos gerais ou médicos de cuidados primários
  5. • Atendimento feito por especialistas, como o psiquiatra infantl, aumentou de 24% para 36%

Segundo o professor de pediatria e coordenador do estudo, Craig Garfield, o TDAH vem se tornando um diagnóstico cada vez mais comum entre crianças e adolescentes. “A magnitude da velocidade dessa mudança em uma década se deve, provavelmente, a uma maior consciência das pessoas em relação ao transtorno, o que pode ter levado os médicos a reconhecer mais facilmente os sintomas do problema”, diz.

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No entanto, os pesquisadores afirmam que ainda não é possível definir como as várias e importantes mudanças que ocorreram em relação ao TDAH na última década – em relação a diagnóstico e tratamento – contribuíram para a melhor condução de soluções ao problema.

A pesquisa – O estudo americano, com base em dados do Índice de Saúde Nacional de Doença e Tratamento, um grande levantamento feito com médicos em 2010, buscou quantificar todos os diagnósticos de TDAH e os padrões de tratamento feitos em jovens menores de 18 anos. Ao todo, 10,4 milhões de crianças e adolescentes dessa faixa etária foram diagnosticadas com TDAH em atendimento médico ambulatorial nos Estados Unidos em 2010. Em 2000, esse número foi de 6,2 milhões.

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Os pesquisadores também observaram que as drogas psicoestimulantes foram os medicamentos mais prescritos para os jovens com TDAH, embora seu uso tenha diminuído de dez anos para cá. A substância foi utilizada em 96% dos tratamentos para o transtorno em 2000, e em 87% em 2010. Segundo Garfield, não está claro o motivo que explique essa redução, já que não houve aumento do uso de outros medicamentos que podem substituir os psicoestimulantes.

Outra mudança em relação ao TDAH observada pelo estudo foi a de que, embora a maioria dos jovens nos Estados Unidos seja diagnosticada com o transtorno por médicos de cuidados primários, ou por clínicos gerais, houve um claro aumento de diagnósticos feitos por médicos especialistas, como psiquiatras. Em 2000, esses profissionais atenderam 24% dos pacientes com o transtorno e, em 2010, esse índice foi de 36%. “Recentemente, diversos avisos de saúde pública têm alertado sobre os possíveis efeitos colaterais dos medicamentos utilizados para tratar TDAH. Talvez por isso os clínicos gerais estejam deixando de tratar pacientes com o transtorno e encaminhando-os a especialistas”, afirma Garfield.

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