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Novo procedimento estético usa gordura de pessoas falecidas como preenchimento

Produto AlloClae é vendido como alternativa menos invasiva, mas não tem segurança e eficácia comprovadas; Cremesp alerta para riscos

Por Victória Ribeiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 fev 2026, 14h25 | Atualizado em 3 mar 2026, 08h41
Novo procedimento estético usa gordura de pessoas falecidas como preenchimento Priorizar nos meus resultados Google

Pode parecer ficção científica, mas não é. Nos Estados Unidos, uma tendência estética vem ganhando espaço: pessoas recorrem à gordura de doadores falecidos para aumentar glúteos, seios e quadris. A prática já acendeu o alerta de especialistas e levou o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) a se antecipar, advertindo sobre os potenciais riscos.

O procedimento é divulgado por clínicas como uma alternativa menos invasiva às cirurgias tradicionais. A técnica utiliza o AlloClae, produto desenvolvido pela Tiger Aesthetics a partir de gordura humana doada. A proposta é funcionar como um preenchedor “de prateleira”, pronto para uso em consultório, eliminando a necessidade de o paciente se submeter a uma pequena lipoaspiração para retirada da própria gordura — o conhecido enxerto autólogo.

Os valores dos procedimentos com AlloClae variam de US$ 10 mil (cerca de R$ 52 mil) a US$ 100 mil (aproximadamente R$ 520 mil), a depender da quantidade aplicada e da área tratada. Mesmo com o custo elevado, médicos relataram ao Business Insider escassez do material e formação de filas de espera em clínicas de Nova York e da Califórnia.

Falta de evidências e riscos

Apesar do interesse crescente, o Cremesp afirma que não há estudos científicos que comprovem a segurança e a eficácia desse tipo de procedimento.

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Entre as possíveis complicações, segundo a entidade, estão reações inflamatórias, formação de nódulos, infecções e até embolização.

“O Cremesp ressalta que médicos não podem divulgar procedimentos ou medicamentos de forma sensacionalista nem induzir pacientes à garantia de resultados, conforme o Código de Ética Médica e a Resolução CFM nº 2.336/23. Também é proibida a divulgação, fora do meio científico, de tratamento ou descoberta cujo valor ainda não esteja reconhecido cientificamente pelos órgãos competentes”, informou a entidade.

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