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“Não politize a questão”, diz Doria a Bolsonaro sobre coronavírus

O governador de São Paulo dedicou parte de sua fala para rebater o posicionamento de Jair Bolsonaro sobre as medidas para conter a doença

Por Jennifer Ann Thomas 25 mar 2020, 13h18

Em coletiva de imprensa nesta quarta-feira, 25, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), iniciou a fala parabenizando o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), por ter mantido a orientação de isolamento social e de colaboração com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) no estado. A reação de Caiado e o comentário do governador de São Paulo são uma reação ao pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na noite de terça-feira, 24, quando minimizou a importância da quarentena nos estados. Doria também afirmou que haverá uma reunião entre os governadores às 16h. O governador de São Paulo apresentou a contraprova de seu exame que havia apresentado o resultado negativo para coronavírus. “São Paulo não esconde informações”, declarou.

Doria dedicou parte da coletiva para falar diretamente sobre a teleconferência entre Bolsonaro e os governadores do sudeste realizada na manhã desta quarta-feira. “Aceitamos republicanamente participar dessa conferência. Mencionei a importância dessa integração entre o governo federal e os governos estaduais. Uma ação conjunta é essencial. Não é hora de separatismo e de rivalidades. Precisamos de todos juntos no combate a essa gravíssima crise”, disse. Na sequência, complementou ao afirmar que se posicionou sobre a fala do presidente. “Fiquei decepcionado com a intervenção feita ontem pelo presidente, discordando do posicionamento e entendendo que para os prefeitos de São Paulo, o conteúdo daquilo que ele disse foi absolutamente equivocado e em falta de sintonia com o Ministério da Saúde, do governo federal. Fiz apenas um registro como brasileiro, cidadão e governador eleito de São Paulo”, declarou.

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Em seu pronunciamento na noite de terça-feira, Bolsonaro voltou a chamar a Covid-19 de uma “gripezinha”. “Não é uma gripezinha, não é um refriadozinho, é sério e é a maior crise de saúde pública do país. Não é uma gripezinha. Não é um resfriadozinho. Já temos 46 vítimas e não entramos nem no pico dessa crise do coronavírus. Não politize a questão. Não transforme em palanque político. Estamos preocupados em salvar vidas”, reiterou Doria.

Antes de abrir às perguntas dos jornalistas, Doria pediu uma reflexão ao presidente. “Ele, que é o presidente do Brasil, deveria liderar o país e não conflagrar o país, como tem feito com suas posições, manifestações e decisões e forma intempestiva com a forma como se dirigiu a mim por teleconferência. Não é no desafio pessoal que vamos construir soluções para essa grave crise do Brasil. É a capacidade de interpretar corretamente os fatos e emitir soluções e medidas saudáveis, positivas, equilibradas e em paz. A minha reflexão é: presidente, vamos refletir juntos. Não pode haver fronteiras entre a solidariedade e amor ao próximo. As pessoas que espalham o amor não têm tempo para jogar pedras no próximo. Fazer o bem às pessoas. Não transforme em uma luta política e eleitoral”, afirmou.

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