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Ministério da Saúde fecha o cerco à hanseníase

Mais de 25 000 casos da doença foram registrados no Brasil em 2016. A doença tem cura, e o tratamento é gratuito e ofertado pelo SUS

A hanseníase é uma das doenças mais antigas que afligem a humanidade. Os primeiros registros da bactéria Mycobacterium leprae datam de mais de 4 000 anos na China, na Índia e no Egito. Apesar do avanço da medicina, a doença segue como problema de saúde pública importante em todo o mundo até os dias de hoje.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 215 000 casos novos de hanseníase foram reportados em 143 países no ano de 2016. O Brasil, com 25 218 casos novos registrados, ocupa a segunda posição no ranking mundial, atrás apenas da Índia.

Ainda alvo de estigma e discriminação por parte da população, a hanseníase foi identificada em 1873 pelo médico norueguês Gerhard Armauer Hansen, mas os primeiros tratamentos surgiram somente nos anos 1940. Antes disso, acreditava-se que a única forma de enfrentar a enfermidade era por meio do isolamento dos doentes.

“A partir de 1980 foi introduzida a poliquimioterapia – PQT, uma associação de até três antibióticos, altamente eficaz e que proporciona a cura da doença, desde que o tratamento seja feito de forma correta e regular”, afirma Egon Daxbacher, coordenador do Departamento de Hanseníase da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Apesar de ser uma doença da pele, ela é contraída pelas vias respiratórias, geralmente por meio de gotículas que saem do nariz ou da saliva do doente – é necessário, no entanto, um contato próximo e prolongado com o enfermo. “Ainda assim, cerca de 90% das pessoas que entram em contato com a bactéria não adoecem. Mas é preciso atenção, já que se trata de uma doença silenciosa.

As manchas não ardem, não coçam e não doem”, diz Daxbacher. De acordo com o especialista, os primeiros sinais surgem em forma de manchas avermelhadas ou mais claras do que o tom da pele, que ficam dormentes e com alteração da sensibilidade ao calor, frio ou toque, além de caroços e inchaços pelo corpo. Em um estágio mais avançado, a doença acomete os nervos e pode causar formigamento, sensação de choque, dormência e fraqueza muscular.

Hora da virada

No Brasil, a taxa de detecção geral da hanseníase, em 2016, foi de 12,23 casos por 100 000 habitantes, considerada alta conforme os parâmetros do Ministério da Saúde. Há registro da enfermidade em todo o território nacional. Em 2016, 2 885 municípios detectaram novos casos da doença. Dessas cidades, 591 identificaram 1 696 em menores de 15 anos.

Com o objetivo de realizar o diagnóstico precoce e iniciar o tratamento o mais cedo possível na população com menos de 15 anos, o Ministério da Saúde tem intensificado a busca ativa de casos em escolares de 5 a 14 anos matriculados na rede pública do ensino fundamental.

Desde 2013, é promovida a Campanha Nacional de Hanseníase, Verminoses e Tracoma, uma ação anual realizada em cidades com maior vulnerabilidade social e elevado risco de transmissão das doenças. Nas quatro edições da campanha, foram identificados 1 070 casos novos entre os alunos, além de outros 142 em seus contatos.

Outra ação importante do Ministério da Saúde em parceria com estados, municípios, movimentos sociais e sociedade civil é a Campanha do Dia Mundial de Luta contra a Hanseníase, que tem como um dos objetivos alertar a população sobre os sinais e sintomas da doença e estimular a procura pelos serviços de saúde, também conhecida como Janeiro Roxo. Em 2018, a campanha tem como slogan “Hanseníase. Identificou. Tratou. Curou.”

Tratamento

No Brasil, o tratamento é fornecido de maneira gratuita pelo SUS, em unidades públicas de saúde, com a poliquimioterapia (PQT), uma associação de até três antibióticos.

Somente em 2016, foram mais de 5 300 internações por complicações da doença. “É importante que todos aqueles que tiveram contato próximo e prolongado com algum doente de hanseníase também procurem uma unidade de saúde para que sejam examinados e iniciem o tratamento imediatamente em caso de confirmação do diagnóstico”, completa Egon Daxbacher, da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

 (Maria Otávia Prim/Estúdio ABC)