Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Medicamento reduz em 56% o risco de fratura por osteoporose

Um estudo inédito mostrou que o a teriparatida é mais eficaz que o risedronato ao reduzir o risco de novas fraturas em pacientes com osteoporose grave

Um novo estudo mostrou que a teriparatida, medicamento que atua no mecanismo de formação do osso, reduz em mais da metade o risco de fraturas vertebrais em mulheres com osteoporose grave. A pesquisa inédita publicada recentemente no periódico científico The Lancet comparou, pela primeira vez, a eficácia da teriparatida com a do risedronato na prevenção de fraturas em mulheres com osteoporose grave na pós-menopausa.

A teriparatida é o único medicamento contra a osteoporose que atua na produção de osteoblasto, célula responsável pela formação do osso. Já o risedronato faz parte da classe dos bifosfonatos e atua no combate à ação do osteoclasto, célula que atua na degradação da estrutura óssea.

Estudo

No estudo, que foi realizado com pacientes de mais de 14 países, incluindo o Brasil, 1.360 mulheres, com mais de 45 anos e osteoporose grave (que já apresentavam fratura óssea) na pós-menopausa, foram dividas em dois grupos: o primeiro recebeu injeções diárias de teriparatida e o segundo, um comprimido de risedronato por dia, ao longo de dois anos.

A superioridade da eficácia da teriparatida já foi observada nos primeiros 12 meses de tratamento, com uma queda de 48% na incidência de fraturas vertebrais, o tipo mais comum em pacientes com osteoporose. Após 24 meses, essa taxa subiu para 56%. Houve também uma diminuição de 54% na incidência de fraturas vertebrais novas e agravadas, e redução em 52% na incidência de fraturas clínicas (quando há dor).

“Esses resultados são importantes porque uma fratura por fragilidade aumenta em oito vezes o risco de uma segunda fratura e agora os médicos sabem que há uma opção eficaz para reduzir essa probabilidade”, diz Cristiano Zerbini, reumatologista do hospital Sírio Libanês, diretor do Centro Paulista de Investigação Clínica e coautor do estudo.

Entre as participantes do estudo, cerca de 70% já haviam sido tratadas com pelo menos uma medicação da classe dos bifosfonatos e 10% tinham feito tratamento com cortisona – anti-inflamatório que pode induzir à osteoporose. “Pela primeira vez, um estudo randomizado mostra evidências da superioridade de um agente formador de osso, sobre uma medicação antirreabsortiva. A teriparatida foi bem superior ao risedronato inclusive em pacientes com risco aumentado e já submetidas a tratamento prévio com bifosfonatos. “, afirma Zerbini.

Estrutura óssea

Os ossos são tecidos vivos que atingem seu pico de desenvolvimento por volta dos 20 anos. “Nós fazemos o nosso esqueleto até os 30 anos, mas mais de 90% dele é formado até os 20. Dos 30 aos 45 anos, inicia-se o processo de desgaste, mas nessa fase, tudo o que é tirado é reposto. A partir dos 45 anos, incia-se a perda da massa óssea, que gira em torno de 0,5% ao ano.”, explica o médico.

Portanto, o processo de desgaste ósseo é natural. O problema é que, nas mulheres, a perda de estrogênio característica da menopausa acelera bruscamente esse processo. “O estrógeno é um grande defensor do esqueleto e na menopausa a mulher perde essa proteção. Isso significa que após a menopausa, algumas podem perder entre 3% e 4% de massa óssea ao ano”, afirma o reumatologista.

Veja também

Osteoporose

Se a perda de massa óssea em qualquer lugar do corpo atingir 25% esse lugar estará osteoporoso, ou seja, sujeito à fratura. O problema é que a fase inicial da doença é assintomática, o que dificulta o diagnóstico precoce.A úncia forma de avaliar é através da sensitometria óssea, exame que avalia a densidade óssea corporal.

Os primeiros sinais de que há algo errado aparecem somente em estágio mais avançado e os mais comuns são: dores nas costas, ombros caídos, abdômen saliente, entre outros. Portanto, a recomendação é de que haja uma avaliação rápida com a realização de exames e adequação de mudanças de hábitos para melhorar a qualidade de vida, evitando as temidas fraturas.

Embora o desgaste ósseo não possa ser interrompido completamente, algumas medidas contribuem para retardar esse processo e prevenir fraturas. São elas: ingestão adequada de cálcio na dieta (leite e seus derivados são a principal fonte do nutriente), tomar pelo menos 15 minutos de sol diariamente para ativação da vitamina D (responsável pela fixação do cálcio nos ossos), realização atividade física (músculos fortes protegem o osso contra fraturas), e evitar fumar e excesso de bebida alcoólica.

No Brasil, a osteoporose afeta cerca de 10 milhões de pessoas, de acordo com o Ministério da Saúde. Segundo a Fundação Internacional contra a Osteoporose (IOF, na sigla em inglês), um terço das mulheres e um quinto dos homens acima dos 50 anos apresentarão fratura relacionada à osteoporose. Dados da entidade também revelam que a fratura de quadril, considerada a mais séria, causa a morte de cerca de um quinto dos pacientes, no primeiro ano após o incidente.

Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. Essa matéria é um informe publicitário ?

    Curtir

  2. O trabalho refere-se a osteoporose grave. O título não deixa isso claro. Foi proposital ?

    Curtir

  3. Quem é leigo pode acreditar que se tem osteopenia ou qualquer grau de osteoporose poderá trocar o risedronato pela teripatida pois estará mais protegida , além de ser mais comoda a posologia . Cabe ao repórter ou ao consultor explicar ao leitor estes detalhes da pesquisa mostrando a que público a pesquisa se destinou e quem se beneficiará com ela. Além disto, as tomadas de decisão são sempre apoiadas em outros estudos que possam suportar os mesmos resultados, se há conflitos de interesses com as fontes financiadoras do estudos, efeitos colaterais das drogas envolvidas, etc.

    Curtir