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Mais da metade dos médicos recém-formados é reprovada no exame do Cremesp

54,5% dos estudantes foram reprovados no exame do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, com uma quantia de acertos inferior a 60%

Por Juliana Santos
6 dez 2012, 17h45

Mais da metade dos médicos recém-formados do estado de São Paulo foi reprovada no exame do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), aplicado no dia 11 de novembro. Este foi o primeiro ano em que a prova foi obrigatória. Os resultados, no entanto, não impedirão a emissão de registros profissionais dos médicos.

O exame do Cremesp é aplicado desde 2005, mas até o ano passado a participação dos estudantes era facultativa. A partir deste ano, todos os formandos do estado precisam fazer a prova para poder se inscrever no Conselho, porém eles não precisam ser aprovados para tirar o registro.

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Dentre os participantes, 54,5% dos estudantes foram reprovados no exame, com uma quantidade de acertos inferior a 60%, ou seja, menos de 71 das 120 questões. Na divisão entre escolas públicas e privadas, a média de acertos foi maior entre as escolas públicas (63,74%) do que nas escolas privadas (54,38%), que ficaram abaixo da média estabelecida.

A prova era composta por questões de múltipla escolha, divididas pelas seguintes áreas do conhecimento: Bioética, Clínica Médica, Pediatria, Ciências Básicas, Ginecologia, Obstetrícia, Cirurgia Clínica, Saúde Mental e Saúde Pública. As duas últimas áreas foram as que tiveram a menor porcentagem de acertos, 41 e 46,1%, respectivamente.

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Para Reinaldo Ayer, um dos coordenadores do exame, os resultados vão ao encontro da preocupação do Conselho quanto à qualidade do ensino de Medicina no estado. “Com a obrigatoriedade da nossa prova, fica mais claro que existem problemas na formação dos médicos em São Paulo. Isso está evidente no índice de reprovação e também quando se tornar explícito este índice por área”, afirma.

Renato Azevedo, presidente do Conselho, acredita que a média baixa dos estudantes se deve em parte ao grande número de escolas de Medicina abertas nos últimos anos, muitas vezes sem a infraestrutura adequada para o ensino de qualidade. “A nossa proposta é chamar atenção da sociedade brasileira que não é possível focar em quantidade de escolas de Medicina sem se preocupar com a qualidade do ensino”, afirma Renato.

Entre 2005 e 2011, quando o exame não era obrigatório, 46,6% dos alunos que fizeram a avaliação foram reprovados.

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Ranqueamento – O Cremesp optou por não divulgar as notas por instituição de ensino, para evitar um ranquemento das faculdades. Os estudantes receberão confidencialmente seus resultados, e as escolas terão acesso apenas à média de todos os seus alunos, em comparação com a média geral.

Essa decisão foi tomada em parte pelas pressões das próprias instituições de ensino. “Tivemos um problema porque as escolas falavam para os alunos não realizarem a prova. Desde que o exame se tornou obrigatório, estamos conversando com as escolas, tentando procurar uma solução juntos. A grande resistência por parte da escola realmente era o ranqueamento”, diz Renato.

De acordo com ele, o Cremesp pretende se reunir com as escolas para discutir maneiras de melhorar o ensino. Porém, ele considera que a maior responsabilidade pela questão é do Ministério da Educação (MEC). “As autoridades educacionais, especialmente o MEC, têm que levar em consideração essa avaliação para tomar providências a respeito, inclusive fechando escolas que não tem condição de proporcionar um ensino médico adequado e de qualidade.”

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Boicote – Participaram do exame 2.872 formandos, 347 deles oriundos de cursos de medicina de outros estados. Não há obrigatoriedade para esses estudantes, a não ser aqueles que desejam fazer o registro no Cremesp para atuar em São Paulo. Assim, as notas desses alunos não entraram nas estatísticas do Conselho, uma vez que este busca avaliar o ensino apenas no estado.

Além disso, 119 provas foram anuladas, por serem consideradas inválidas. A maior parte disso ocorreu devido ao boicote ao exame proposto por alunos de algumas escolas de medicina, como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Universidade Estadual Paulista (Unesp), por exemplo.

Os estudantes afirmam que a faculdade e o corpo docente deveriam ser avaliados também, e não apenas o aluno. “O peso dessa avaliação não pode cair simplesmente em cima do estudante. A instituição de ensino que, ao ser avaliada, não tenha condições de funcionar, deve sofrer algumas sanções, não o estudantes que essa instituição está formando”, afirma Josué Rocha, formando da Unicamp que, como outros colegas da mesma instituição, assinalou todas as alternativas com a letra ‘b’.

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Para Renato Azevedo, presidente do Cremesp, o boicote não afetou o exame, já que foi praticado por uma minoria de alunos (4,2%), que não foram considerados nos cálculos da média geral.

Emissão do registro – O comprovante de realização da prova se tornou esse ano documento obrigatório para que o recém-formado faça seu registro no Cremesp. De acordo com Renato, os alunos que boicotaram o exame não poderão ser proibidos de fazer o registro, uma vez que a obrigatoriedade era apenas realizar a prova. O que vai acontecer é um atraso na emissão do CRM desses estudantes que, de acordo com ele, pode durar até 31 de janeiro do ano que vem.

Obrigatoriedade – O Cremesp não pode exigir uma nota mínima para realizar o registro profissional dos médicos. Para isso, é necessária a determinação de uma lei federal, como é o caso da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Renato afirma que essa lei está em tramitação no Congresso Nacional, mas não há previsão para que entre em vigor. “Nós também defendemos que o médico faça uma reavaliação a cada cinco anos, depois de formado. Algumas especialidades têm essa prática atualmente, e vários países do mundo também”, afirma.

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