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Implante que recupera a visão de pessoas praticamente cegas pode chegar ao mercado neste ano

Tecnologia, conectada a um óculos dotado de câmera, foi bem-sucedida em estudo com pessoas com degeneração macular relacionada à idade

Por Diogo Sponchiato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 jan 2026, 07h30 | Atualizado em 20 jan 2026, 17h41
Implante que recupera a visão de pessoas praticamente cegas pode chegar ao mercado neste ano Priorizar nos meus resultados Google

Não só se refez a luz. Refez-se também a capacidade de enxergar letras. Graças a uma tecnologia promissora, pessoas com deficiência visual severa causada pela degeneração macular relacionada à idade voltaram a visualizar o mundo. Depois do êxito em estudos, a expectativa é que o implante fotovoltaico PRIMA seja aprovado e chegue ao mercado no exterior em 2026.

O dispositivo consiste em uma espécie de chip de 2 mm instalado em uma microcirurgia na porção ao fundo do globo ocular. É ali que fica a retina, tecido que permite aos estímulos luminosos serem convertidos em impulsos elétricos decodificados pelo cérebro. É assim que as imagens se formam à vista.

O implante é conectado sem fios a um óculos especial dotado de uma câmera, que capta a luz e a transmite à microestrutura alojada no olho. Dessa forma, o chip faz as vezes da retina lesionada, mandando informações até o cérebro e devolvendo parcialmente a capacidade de enxergar, comprometida pela doença.

O último estudo com a tecnologia, publicado no The New England Journal of Medicine, recrutou 38 pessoas que sofriam com atrofia geográfica devido à degeneração macular, um dano por ora irreversível à porção central da retina que limita a visão e pode levar à cegueira completa. Dessas, 32 completaram um ano de uso do dispositivo.

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Após a análise dos resultados, os autores da pesquisa multicêntrica, realizada em universidades europeias e americanas, concluíram que o implante PRIMA restaurou a visão central e melhorou consideravelmente a capacidade visual dos participantes.

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Exemplo de melhora visual com o implante PRIMA, segundo imagens obtidas pela equipe de autores do estudo (Universidade Stanford/EUA) (Foto: Palanker Lab/Reprodução)
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Como funciona a tecnologia

O sistema PRIMA consiste em um óculos especial com uma câmera que capta as imagens e, por meio de um processador, as converte em sinais infravermelhos que são direcionados ao implante instalado na região da retina. O implante, por sua vez, transforma esses sinais em estímulos elétricos, que são direcionados, pelo nervo óptico, até a região do cérebro responsável pela leitura das imagens.

“A sacada do dispositivo é que, como a pessoa tem uma atrofia na retina causada pela doença, o implante “pula” os fotorreceptores danificados para disparar diretamente os sinais ao cérebro, que está íntegro”, explica o oftalmologista Gustavo Gameiro, doutor pela Unifesp, que visitou o laboratório de um dos autores da pesquisa com a tecnologia nos Estados Unidos.

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Reconstituição do que compõe o sistema PRIMA para restauração da visão (Foto: Prima Implant/Reprodução)
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Os resultados da intervenção foram medidos em exames parecidos com aqueles que fazemos nas consultas com o oftalmo, quando ele pede para lermos sequências de letras a distância. E foram considerados satisfatórios.

“No experimento, não eram pessoas totalmente cegas, mas houve um aumento médio na capacidade visual na ordem de 25 letras após um ano com o implante, o que é incrível”, comenta Gameiro. “Não é uma visão HD, em alta definição, mas já corresponde a 5% do que seria uma capacidade normal e saudável, o que é relevante para pacientes com atrofia da retina.”

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Com o progresso da tecnologia, projeta-se que inclusive essa resolução melhore. A expectativa é que o sistema PRIMA, ainda não disponível comercialmente, seja aprovado e estreie nos mercados europeu e americano até o fim deste ano. A ver… e torcer.

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