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Governo minimiza surto de varíola do macaco no Brasil, diz infectologista

Para a médica infectologista Luana Araújo, há um despreparo dos profissionais de saúde do país para a identificação da doença: 'Há subnotificação no Brasil'

Por Felipe Mendes
Atualizado em 24 jul 2022, 13h01 - Publicado em 24 jul 2022, 12h24

A médica infectologista e epidemiologista Luana Araújo criticou em entrevista a VEJA a postura do governo brasileiro para o enfrentamento da disseminação do surto de varíola dos macacos, provocado pelo vírus monkeypox, que tornou-se a nova emergência de saúde global, segundo anúncio da Organização Mundial da Saúde (OMS). Para ela, o país repete um roteiro parecido com o percorrido no início da disseminação de Covid-19.

“O Ministério da Saúde não precisava esperar a OMS declarar estado de emergência para treinar o corpo de saúde do país, negociar vacinas com produtores e, principalmente, informar a população. Mais uma vez, a gente não tem informação para o público. Parece que estão mais preocupados com questões político-eleitoral do que com a saúde do povo”, afirma.

Ela acredita que há um grau de subnotificação da doença elevado no Brasil. Oficialmente, o Ministério da Saúde comunicou 696 infecções pelo vírus no país até o último sábado, dia 23. São Paulo, com 506 casos, e o Rio de Janeiro, com 102, concentram a maioria dos registros. “O número de casos está aumentando rapidamente. E a gente não tem ferramenta de diagnóstico disponível de maneira ampla no país. Há uma limitação da suspeição clínica porque o nosso corpo de profissionais de saúde não foi treinado para isso”, aponta a infectologista. “Se esses profissionais não forem treinados vão deixar muita coisa passar. E isso não é culpa deles.”

Nos Estados Unidos, estuda-se a inclusão do vírus monkeypox na lista de doenças sexualmente transmissíveis (DST) já que a maioria dos casos foram diagnosticados após relações sexuais. Segundo um estudo liderado por cientistas da Universidade Queen Mary, de Londres, 98% dos pacientes infectados que se submeteram à pesquisa eram homens gays ou bissexuais, com idade média de 38 anos. Para Araújo, a característica do público-alvo da doença pode dificultar a identificação. “O que a gente vê da monkeypox até agora é um comportamento atípico, acometendo inicialmente uma população estigmatizada, de homens que fazem sexo com homens, um grupo que geralmente tem maiores dificuldades de procurar atendimento médico, até mesmo por medo de julgamento social”, afirma. “Mas ainda não se sabe se a transmissão se dá pelas lesões na pele de uma pessoa já infectada ou se isso também acontece pelos fluídos sexuais durante o ato”.

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Segundo a OMS, passa a ser considerado um caso suspeito de varíola dos macacos qualquer pessoa, de qualquer idade, que apresente pústulas (bolhas) na pele de forma aguda e inexplicável e esteja em um país onde a varíola dos macacos não é endêmica. Se este quadro for acompanhado por dor de cabeça, febre, linfonodos inchados, dores musculares e no corpo, dor nas costas e fraqueza profunda, é necessário fazer exame para confirmar ou descartar a doença.

Para ela, a melhor forma de se prevenir é usar máscaras de proteção e se vacinar, assim que haja imunizantes disponíveis. “Uma das razões pelas quais a OMS decretou o estado de emergência de saúde pública é para coordenar uma resposta internacional em torno da produção de vacinas”, diz Araújo. “O Brasil tem que negociar vacinas com os produtores lá de fora, mas também tem a capacidade de fomentar essa produção aqui. Basta querer.”

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