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Exercícios de fortalecimento podem ser melhores do que os aeróbicos

Novos estudos mostram que fortificar a musculatura traz mais vantagens que atividades como correr ou nadar

Por Alexandre Senechal Atualizado em 1 Maio 2020, 09h22 - Publicado em 30 abr 2020, 19h00

O isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus não pode servir de desculpa para o sedentarismo (veja o artigo de Lucilia Diniz). A falta de um espaço amplo para a prática de exercícios ou a escassez de equipamentos sofisticados também não servem de pretexto. Há muito tempo, antes que o mundo se fechasse em copas, por real necessidade, louvam-se o prazer e o benefício para o organismo da corrida de rua, da natação ou do ciclismo — enfim, atividades aeróbicas que alimentam a oxigenação das células e queimam calorias. Não se trata, evidentemente, de passar uma borracha na recomendação desse tipo de prática, mas o confinamento acelerou o movimento em defesa de outra ideia: o bom mesmo é fortalecer a musculatura. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e os governos da Inglaterra e dos Estados Unidos já decretaram em conselhos à população ao menos duas sessões de musculação por semana. A regra vale inclusive, ou sobretudo, durante o período de quarentena, para que não haja enfraquecimento do sistema imunológico.

Um artigo produzido na Universidade Estadual de Iowa, nos Estados Unidos, mostrou que, se uma pessoa levantar pesos (que sejam garrafas cheias de água) por pelo menos uma hora por semana, o risco de sofrer um ataque cardíaco diminuirá em até 70%. E não é preciso exagerar na dose, pois os resultados não comprovaram nenhum ganho adicional com mais tempo da atividade. É só ter sensatez. Pesquisadores da prestigiada Harvard estudaram o comportamento de 100 000 mulheres para definir se as atividades de força eram eficazes para prevenir o diabetes tipo 2, aquele em que o corpo não produz insulina ou cria resistência a ela. A pesquisa concluiu que o grupo que realizava duas horas e meia de exercícios por semana registrou 40% menos probabilidade de ser acometido pela doença em relação ao que não os praticava.

Há uma tonelada de boas notícias sobre o assunto. Outro estudo, feito pela Universidade de Glasgow, relacionou a incidência de algumas doenças com a força física. A possibilidade de alguém com músculos tonificados apresentar problemas cardiorrespiratórios, mentais (como falta de memória) e câncer é menor que a dos sedentários. As evidências comprovam que o treinamento de força aumenta o fluxo sanguíneo, o que facilita a oxigenação de todos os tecidos corporais e intensifica os mecanismos de defesa do organismo, e ajuda no rejuvenescimento das células. “O fortalecimento da massa muscular faz a manutenção dos nossos sistemas metabólicos. São eles que produzem o combustível para o corpo”, diz Paulo Zogaib, especialista em medicina esportiva e fisiologia do exercício da Universidade Federal de São Paulo.

Esqueça o conceito “quanto mais pesado, melhor”. Para tonificar os músculos, por vezes basta o peso do corpo: levantar-se e sentar-se em cadeiras, fazer abdominais, flexões ou exercícios em uma barra presa na porta. Valem também os treinos de resistência com fitas elásticas ou cabos de borracha. “Séries de vinte minutos, duas a quatro vezes por semana, com criatividade, são suficientes para auxiliar na manutenção da força”, diz o professor de educação física Gustavo Cardozo, diretor técnico do serviço de reabilitação cardiometabólica e oncológica do Espaço Stella Torreão, no Rio de Janeiro. Se há algum alento em meio à pandemia, entre quatro paredes, as diretrizes agora recuperadas autorizam cada um de nós a dizer: eu tenho a força.

Publicado em VEJA de 6 de maio de 2020, edição nº 2685

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