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“Ele é muito bom de briga”, diz oncologista de Bruno Covas

Em entrevista a VEJA, o médico Tulio Pfiffer, do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, fala do real estado físico e emocional do prefeito licenciado

Por Adriana Dias Lopes Atualizado em 8 Maio 2021, 12h08 - Publicado em 8 Maio 2021, 12h03

Em outubro de 2019, o prefeito licenciado Bruno Covas (PSDB) foi diagnosticado com um câncer na cárdia, região de transição entre estômago e esôfago, com metástase no fígado e nos linfonodos. Desde então, vem sendo submetido a um intenso tratamento contra a doença, que recentemente atingiu os ossos. Nesta semana, o oncologista Tulio Pfiffer, do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, médico de Covas, falou a VEJA do real estado físico e emocional do prefeito licenciado: “Ele sabe que é um dia depois do outro, mas é muito bom de briga”, diz. A seguir, a entrevista.

Como está neste momento o estado de saúde do Bruno Covas?
Um pouco mais cansado que o habitual, mas está bem, estável, no quarto. Como emagreceu mais, está recebendo complemento nutricional parenteral (administração de nutrientes pela veia), para garantir o aporte de proteínas e carboidratos.

Como é exatamente o tratamento nessa fase da doença?
Ele começou a fazer radioterapia na última quarta-feira, que terminou hoje. Foram quatro sessões. Essa terapia foi para tratar um sangramento residual no estômago. Durante a radio, suspendemos a quimioterapia e a imunoterapia, que recomeçarão na próxima semana. São quatro remédios no total com essa combinação. Há alguns dias ele recebeu transfusão de sangue para tratar de uma anemia provocada pelo sangramento, que já foi superada.

Qual foi a causa do sangramento?
Ele surgiu no local muito próximo onde o tumor começou. Tem o nome de lesão ulcerada, uma erosão na parede do órgão, que deixam vasos mais expostos e suscetíveis a sangrar. Esse sangramento não tem necessariamente relação com a doença. O local está muito sensível e pode ter sido causado por vários motivos, até mesmo pela alimentação.

Na última segunda-feira, Covas foi entubado, o procedimento foi criticado pelo estado de saúde dele. Por que isso foi feito?
Neste momento, as pessoas estão associando muito a intubação com a Covid-19, o que é absolutamente natural. O procedimento no caso do Bruno é completamente diferente. A entubação foi exclusivamente para o exame de endoscopia ser realizado com toda a segurança. O coágulo foi lavado, tratado e evitamos o risco de intercorrências, como uma broncoaspiração.

Qual é o prognóstico da doença?
A doença dele está se mostrando crônica. Uma pessoa com um câncer como o dele vive muito mais e com qualidade de vida em relação há uma década.

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O câncer dele é grave?
É uma doença que merece respeito.

Como ele tem lidado com a doença?
Ele sabe que é um dia após o outro. Mas ele é muito bom de briga. Tem uma postura clara, sincera e pragmática em relação à doença. Pede para não escondermos absolutamente nada. Ele é extremamente corajoso. Tem feito um tratamento intenso por mais de um ano e sempre conciliou com trabalho intenso e ainda passou por uma campanha.

A ideia de se licenciar da prefeitura foi da equipe médica?
Foi exclusivamente dele. Eu o estava examinando, quando ele me falou que estava se sentindo mais fraco do que o habitual e que seu ritmo de trabalho não estava como ele gostaria. Foi a única vez que o vi chorar.

Quem o acompanha durante as internações?
Ele nunca está sozinho, a família está sempre presente. O irmão, Gustavo, a ex-mulher Karen e o filho Tomás.

Como o Tomás está lidando com a internação do pai?
O Tomás é parecido com ele: forte e reservado. Quando o Tomás entra no quarto, o sorriso do Bruno escancara. Eles têm uma relação muito forte, a prioridade do Bruno é o filho. Ele vem todos os dias no fim da tarde ver o pai.

Quando o Covas deixará o hospital?
Não há previsão de alta.

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