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Ebola: uma nova guerra viral

Na cidade de Goma, profissionais de saúde monitoram o entra e sai de cidadãos para que sinais da infecção possam ser identificados

Por Diogo Sponchiato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 Maio 2026, 06h00 | Atualizado em 22 Maio 2026, 11h15
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Há cinquenta anos, no território que hoje conhecemos como República Democrática do Congo, a África sofreu seu primeiro surto registrado de um patógeno por trás de uma doença hemorrágica altamente letal. Batizado em referência ao rio da região onde foi descoberto, o ebola imediatamente soou o alerta global. Desde 1976, eclosões do vírus, cujo provável hospedeiro na natureza seria o morcego, ocorrem de tempos em tempos nesta e em outras nações africanas. Desta vez, um subtipo, o Bundibugyo, iniciou sua onda de vítimas pelo Congo, já se espalhando pela vizinha Uganda. A Organização Mundial da Saúde demonstrou preocupação com a velocidade de expansão do surto, com mais de 500 casos e ao menos 134 mortes suspeitas. Menos comum que outras espécies de ebola, o Bundibugyo disparou o alarme porque não se dispõe de vacinas nem de tratamentos antivirais contra ele. Calcula-se que, a exemplo de seus irmãos, a taxa de letalidade gire em torno de 50% — ou seja, se dez pessoas contraírem o microrganismo, cinco tendem a perder a vida. Daí a operação de guerra — em um país que ainda vive conflitos armados — a fim de deter a perigosa disseminação viral. Na cidade de Goma, profissionais de saúde acompanhados de soldados monitoram o entra e sai de cidadãos para que sinais da infecção — como a presença de febre — possam ser identificados e remediados a tempo. O risco de pandemia é ínfimo, pois o vírus não é transmitido pelo ar, mas o apoio internacional é o mínimo que se espera em prol de uma população tão fragilizada.

Publicado em VEJA de 22 de maio de 2026, edição nº 2996

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