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Droga em estudo reduz pela metade náusea de canetas contra obesidade

Em testes de fase 2, 29,3% dos voluntários que receberam tradipitante apresentaram vômitos, enquanto 58,6% tiveram o sintoma no grupo placebo

Por Paula Felix Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 nov 2025, 13h26 • Atualizado em 20 nov 2025, 18h41
  • Um dos desafios para pacientes que fazem tratamento contra obesidade com as canetas injetáveis, como Wegovy e Mounjaro, é lidar com os efeitos adversos, como náusea e vômitos. Uma droga em teste está despontando como uma aposta para diminuir esses impactos e facilitar a adesão aos medicamentos, considerando que eles são indicados para administração contínua. Em estudos de fase 2, o tradipitante, da empresa Vanda Pharmaceuticals, reduziu esses sintomas pela metade já utilizando a dose máxima de semaglutida 1 mg, sem a necessidade do aumento gradativo da dosagem indicado pelos médicos para início do tratamento.

    O ensaio clínico contou com a participação de 116 adultos que vivem com sobrepeso ou obesidade e que nunca tinham tomado a nova geração de medicamentos que utiliza agonistas do GLP-1, um hormônio que existe naturalmente no organismo para regular saciedade e foi sintetizado em laboratório para o desenvolvimento dos fármacos. Os voluntários foram divididos em dois grupos, um deles placebo e o outro que recebeu a droga antes do início do tratamento com a caneta antiobesidade.

    A farmacêutica informou que a dose de 1 mg foi administrada desde o início — essa dosagem costuma ser alcançada apenas após nove semanas dentro do esquema atual de tratamento, que prevê aumento escalonado do remédio, segundo a empresa –.

    Entre os participantes que receberam o tradipitante, 29,3% apresentaram vômitos, enquanto 58,6% tiveram o sintoma no grupo placebo, uma redução de 50%. A análise de episódios de vômito e náusea significativos indicou 22,4% nos voluntários que tomaram a droga em teste e 48,3% no placebo, queda de quase 54%.

    “Esses resultados demonstram o potencial do tradipitante para mitigar náuseas e vômitos induzidos por GLP-1, que são os principais contribuintes para as taxas de descontinuação de 30 a 50% observadas na prática clínica com agonistas de GLP-1 , frequentemente antes de se atingirem as doses terapêuticas”, informou, em comunicado à imprensa, Mihael Polymeropoulos, CEO e presidente do conselho da  farmacêutica. “O efeito do tradipitante na redução de náuseas e vômitos pode melhorar significativamente a adesão aos agonistas de GLP-1, permitindo que mais pessoas recebam o benefício terapêutico completo.”

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    A fase 3 do estudo, com mais participantes, deve ser realizada no primeiro semestre do próximo ano.

    Benefícios para o paciente

    O endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, pesquisador da USP de Ribeirão Preto e coordenador do Endodebate, diz que a droga em testes, se alcançar os desfechos esperados nas próximas etapas de estudo, pode contribuir para a adesão e manutenção da perda de peso das canetas contra obesidade, algo que só é atingido com a continuidade do tratamento.

    “O que mais interfere no mundo real, no consultório, é a náusea e o vômito, porque faz com que muitos pacientes interrompam o tratamento”, avalia.

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    Outro ponto positivo diz respeito à dosagem dos medicamentos antiobesidade. “No estudo, existe a não necessidade de fazer a dose menor até chegar à dose plena. Esse estudo começou com 1 mg de semaglutida subcutânea semanal em vez de começar com 0,25 mg, 0,5 mg e 1 mg. Então, a gente espera que nos próximos estudos, de fase 3, consiga começar com a dose intermediária e plena para o paciente ter resultado mais rápido possível”, explica. “Isso pode favorecer até o esquema de titulação de dose”, finaliza.

    Redução das náuseas e vômitos

    O tema da redução dos eventos adversos dos medicamentos contra obesidade à base de liraglutida (Saxenda), semaglutida (Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro) norteou debates da reunião anual da Sociedade de Neurociência, o encontro Neuroscience 2025, onde foram apresentados desde estudos que investigaram, a partir de análises de camundongos, os mecanismos relacionados aos sintomas que ocorrem no cérebro até a combinação com a ocitocina, conhecida como “hormônio do amor”, para potencializar a perda de peso com tirzepatida sem causar náuseas ou vômitos.

    Essas pesquisas ainda são iniciais, mas demonstram a preocupação com eventos conhecidos, pois estão detalhados em bula, mas que podem levar à descontinuação do medicamento, afetando os resultados obtidos pelo tratamento adequado, como redução do peso, a progressão do diabetes e diminuição do risco cardiovascular.

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