Oferta Relâmpago: Veja por 7,99

Dengue: quando e por que a doença se torna grave e potencialmente letal

Primeira morte pela infecção no Rio de Janeiro neste ano acende alerta para seriedade do quadro, sobretudo em idosos, crianças e gestantes

Por Carolina dos Santos Lázari* 28 jan 2025, 08h06 | Atualizado em 28 jan 2025, 08h07
Dengue: quando e por que a doença se torna grave e potencialmente letal Priorizar nos meus resultados Google

O Rio de Janeiro registrou sua primeira morte por dengue em 2025. Com quase mil casos confirmados na capital e outro óbito sob investigação, o cenário preocupa ainda mais após 2024, ano que marcou o maior número de infecções da última década.

Nacionalmente, o Brasil já contabiliza 101 mil casos prováveis de dengue em 2025, com 15 mortes confirmadas e 116 em análise, segundo o Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde.

A evolução para um quadro grave de dengue está associada a diversos fatores, com a resposta inflamatória do organismo desempenhando um papel central.

Quando o vírus da dengue infecta o corpo, ele desencadeia uma inflamação sistêmica, ativando as células que revestem internamente os vasos sanguíneos. Isso aumenta a permeabilidade e a fragilidade desses vasos, permitindo o extravasamento de líquidos que deveriam permanecer no sangue para outros espaços do corpo. Esse processo pode levar ao choque circulatório, além de aumentar o risco de hemorragias, já que as plaquetas — essenciais para a coagulação — são consumidas ou ‘sequestradas’ no processo inflamatório.

A gravidade da resposta inflamatória é ainda maior em pessoas que já tiveram dengue anteriormente. Nesses casos, o organismo possui uma memória imunológica do primeiro contato com o vírus, que faz com que a resposta inflamatória comece de maneira muito mais intensa e acelerada, amplificando os danos aos vasos sanguíneos e aumentando o risco de complicações graves, como sangramentos e choque.

Continua após a publicidade

Por outro lado, quem contrai dengue pela primeira vez geralmente desenvolve uma resposta inflamatória mais gradual, o que reduz, mas não elimina, a possibilidade de evolução para a forma grave da doença.

Em casos graves, sintomas como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos de mucosas, letargia e sinais de choque, como pressão baixa, indicam a necessidade de intervenção médica imediata. O diagnóstico precoce e a hidratação adequada são cruciais para interromper essa progressão.

Alguns grupos apresentam maior probabilidade de desenvolver formas graves da dengue, como pessoas com episódios anteriores da doença e os extremos de idade — crianças abaixo de 2 anos e idosos acima de 65 anos — são particularmente vulneráveis.

Continua após a publicidade

Gestantes e pessoas com comorbidades, especialmente aquelas com condições que afetam a coagulação do sangue, como o uso de anticoagulantes, também estão em risco aumentado, pois essas condições ampliam as chances de hemorragias.

A detecção precoce é essencial para o manejo eficaz da dengue. Testes rápidos, que fornecem resultados em cerca de 15 minutos, estão disponíveis e podem confirmar a infecção já nos primeiros dias de sintomas.

Com o diagnóstico em mãos, os pacientes recebem orientações específicas, como a hidratação proporcional ao peso corporal, e ficam alertas para os sinais de alarme que exigem atendimento hospitalar.

Continua após a publicidade

A hidratação é o pilar do tratamento da dengue, especialmente nos estágios iniciais. Em casos graves, pode ser necessário administrar líquidos por via intravenosa para prevenir complicações mais sérias, como o choque e as hemorragias. A negligência nesse aspecto pode ser decisiva para a piora do quadro.

Com o aumento expressivo dos casos, é essencial que a população esteja bem informada sobre os sintomas iniciais e os sinais de alarme. O diagnóstico rápido, aliado ao cuidado imediato, é a melhor defesa contra a progressão para a forma grave da doença.

* Carolina dos Santos Lázari é médica infectologista e patologista clínica e membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML)

Continua após a publicidade

 

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo e branco, ao lado de Você pediu, a gente ouviu! em branco. À direita, capas de revistas e um celular com tela ligada, e um ícone de árvore à esquerda.Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo neon, acompanhado de um raio. Abaixo, Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas: SUPER com um copo de milk-shake, VEJA com paisagem e MUNDO ESTRANHO com carros. Um ícone de árvore estilizada no canto superior direito
MELHOR OFERTA

Digital Básico

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).