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Covid-19: como o Uruguai conteve a doença sem quarentena obrigatória

Ainda que a população do país represente menos de 2% do contingente de residentes no Brasil, algumas estratégias adotadas pelos uruguaios podem ser copiadas

Por Mariana Rosário - 7 jul 2020, 10h23

A maior prova de que o Uruguai conseguiu controlar efetivamente o avanço da pandemia da Covid-19 em todo seu território ocorreu no fim do mês de junho, quando a União Europeia incluiu os residentes do país em uma seleta lista de quem poderia ultrapassar as fronteiras externas a partir de 1º de julho. Trata-se da única nação eleita para tal posição em toda a América do Sul.

O país tem, até o dia de hoje, 7.960 casos confirmados de Covid-19 e 20 mortes, de acordo com a plataforma Worldometer. São aproximadamente 8 mortes e 276 casos a cada 1 milhão de habitantes. A título de comparação, o Brasil — o primeiro no continente sul-americano em diagnósticos positivos e óbitos — tem a marca de 309 mortes e 7.660 casos pela mesma proporção de residentes.

Tão logo os primeiros casos foram confirmados no Uruguai, em 15 de março, o governo anunciou a primeira suspensão de aulas por cerca de duas semanas, a partir do dia seguinte. As escolas ficaram fechadas até meados de junho, quando houve uma retomada gradual. Mas somente esta medida, ainda que acertada, não seria suficiente para determinar o sucesso do combate à doença na região. Houve ainda um esforço de realizar uma boa quantidade de testes na população. São mais de 20.900 análises por milhão de habitantes, patamar que o Brasil apenas conseguiu aproximar-se mais recentemente.

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Esse número de exames serve para alimentar o sistema de um plano nacional para controle do coronavírus. O serviço de saúde universal (como o Sistema Único de Saúde brasileiro) inclui um número de telefone, um aplicativo de celular, chats e contas em redes sociais para que pessoas que contataram pacientes com diagnóstico confirmado da doença possam buscar informações seguras e logo isolar-se do resto da população, evitando um contágio em massa.

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“A questão mais importante para eles não foi fazer o isolamento de toda a população, mas sim a identificação precoce de casos suspeitos e seus contactantes, para evitar o contágio da doença. O que é uma medida muito acertada que também podemos adotar em diversos estados brasileiros “, aponta o professor Julio Croda, da faculdade de medicina da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e infectologista da Fundação Oswaldo Cruz.

Croda também ressalta que outro acerto do Uruguai foi uma comunicação constante com a população, para que evitassem comportamento de risco, como sair sem necessidade e aglomerar-se em áreas comuns. “A divulgação foi adequada, com muito respeito ao que sabe-se cientificamente sobre a doença”, disse o médico. O próprio presidente do país, Luis Alberto Lacalle Pou, veio a público ressaltar a importância de adotar medidas de higiene e de isolamento, ainda que não tenha aplicado medidas obrigatórias para restrição de áreas internas do país, apenas para regiões de fronteiras externas, inclusive com o Brasil, onde houve toque de recolher.

Outro exemplo positivo de Lecalle Pou ocorreu quando uma diretora do governo foi identificada com a Covid-19 no fim de maio. Por ter entrado com contato com a profissional na mesma semana em que ela foi identificada com a doença, o presidente entrou em quarentena voluntária até que fizesse o exame para detectar infecção pelo novo coronavírus. O resultado foi negativo.

Com Agência Brasil

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