Clique e assine com até 92% de desconto

Covid-19: até 90% dos infectados podem não transmitir a doença

Segundo especialistas, o teste PCR, que procura o vírus no organismo, é muito sensível e pode identificar uma carga viral muito baixa

Por Da Redação Atualizado em 19 nov 2020, 10h43 - Publicado em 31 ago 2020, 16h29

Até 90% das pessoas com diagnóstico positivo para o novo coronavírus em Massachusetts, Nova York e Nevada, nos Estados Unidos, no mês de julho, podem não ter carga viral suficiente para transmitir a infecção, de acordo com uma revisão realizada pelo The Times. Segundo especialistas, isso acontece porque os testes RT-PCR, que identificam a presença do vírus no organismo, são extremamente sensíveis e apenas indicam se a pessoa tem o vírus no organismo ou não, mas não a quantidade de vírus.

Por outro lado, testes de PCR semelhantes usados para o diagnóstico de outros vírus fornecem resultados que incluem uma estimativa aproximada da quantidade de vírus no corpo do paciente. Isso ajuda a definir o quão contagiosa essa pessoa pode estar, segundo informações do The New York Times.  O teste de PCR amplifica o material genético do vírus por meio de ciclos. Quanto menor a quantidade de ciclos necessária para identificar o vírus, maior a carga viral. Quanto maior a carga viral, maior a probabilidade de o paciente ser contagioso.

Segundo especialistas, essa é uma informação importante que deveria constar no laudo de testes PCR para coronavírus, em conjunto com o resultado positivo ou negativo.

ASSINE VEJA

A esperança dos novatos na bolsa Leia nesta edição: a multidão de calouros no mercado de ações, a ‘lista negra’ de Bolsonaro e as fraudes na pandemia
Clique e Assine

Atualmente, a maioria dos testes para diagnosticar a Covid-19 faz cerca de 37 a 40 ciclos, de acordo com o The New York Times. Porém, especialistas acreditam que esse é um limite muito alto e isso acaba detectando tanto pessoas com o vírus vivo quanto aquelas com poucos fragmentos do vírus morto. Para  a virologista Juliet Morrison, da Universidade da Califórnia, em Riverside, nos EUA, o limite razoável de ciclos deveria ser de 30 a 35, disse em entrevista o NYT.

LEIA TAMBÉM: Coronavírus: o que o caso confirmado de reinfecção significa na prática?

O laboratório estadual de Nova York Wadsworth analisou a quantidade de ciclos realizados em testes de PCR para Covid-19  em julho e descobriu que 794 testes com resultados positivos foram baseados em um limite de 40 ciclos. Se fossem realizados apenas 35 ciclos, metade dessas pessoas não teria diagnóstico positivo. Se o limite fossem 30 ciclos, essa taxa sobe para 70%.

Em Massachusetts, de 85% a 90% das pessoas com resultado positivo com um limite de 40 ciclos, teriam testado negativo se o limite fosse de 30 ciclos. A FDA, agência que regulamenta medicamentos e produtos médicos nos EUA, disse ao NYT que não especifica os limite de ciclos usados ​nos testes de Covid-19. Porém, a agência ressalta que as pessoas podem ter uma carga viral baixa quando infectadas e um teste com menos sensibilidade não detectaria essas infecções.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) disse ao jornal americano que estão avaliando a determinação de estipular limite de ciclo para estes testes. De acordo com o órgão, seus próprios cálculos sugerem que é extremamente difícil detectar um vírus vivo em uma amostra superior a 33 ciclos.

Para especialistas em virologia, são necessários testes rápidos, baratos e abundantes para testar com frequência todos que precisam, mesmo que isso signifique que os testes sejam menos sensíveis. “Pode não pegar todas as pessoas transmissoras, mas com certeza vai pegar as pessoas mais transmissíveis, incluindo os super transmissores. Só isso já levaria as epidemias praticamente a zero ‘, disse o epidemiologista Michael Mina, da Harvard T.H. Escola Chan de Saúde Pública, ao Times.

  • Continua após a publicidade
    Publicidade