Clique e assine a partir de 9,90/mês

Covid-19: por que bares podem ser ‘superpropagadores’ da doença

Médico de Harvard explicou que, ainda que cuidados sejam tomados, o risco de exposição ao coronavírus neste tipo de ambiente é elevado

Por Da Redação - Atualizado em 8 jul 2020, 17h01 - Publicado em 8 jul 2020, 16h52

A retomada de atividades econômicas a exemplo de bares, autorizados a reabrir desde a última segunda-feira, 6, em São Paulo, inspiram cuidados sobre a concentração de altos níveis de contágio do novo coronavírus. Quem explicou o caso foi Abraar Karan, pesquisador em saúde pública da Escola de Medicina de Harvard.

Em entrevista a BBC, o especialista afirmou que em alguns ambientes a transmissão do novo coronavírus atinge níveis mais elevados que o normalmente registrado em análises epidemiológicas. Seriam eles os “superpropagadores”. Pesquisas iniciais apontam que a disseminação da Covid-19 em diversas regiões está intimamente ligada a esse tipo de evento, disse o médico. Festas de aniversário, bares e outros tipos de reuniões enquadrariam-se nesse grupo. O risco concentra-se, principalmente, em ambientes com alto volume de pessoas, por vezes sem equipamentos de segurança, e com pouca ventilação.

ASSINE VEJA

Governo Bolsonaro: Sinais de paz Leia nesta edição: a pacificação do Executivo nas relações com o Congresso e ao Supremo, os diferentes números da Covid-19 nos estados brasileiros e novas revelações sobre o caso Queiroz
Clique e Assine

Em cenários como esse, um fator comportamental no entanto, pode ser decisivo para complicar a situação. “Estamos pedindo às pessoas que mudem seus hábitos, solicitando que façam coisas que estão fora do natural para que ajudem a conter a disseminação”, disse Karan, que demonstra especial preocupação com ambientes de confraternização. “Com o consumo de álcool, é mais provável que as pessoas voltem ao seu comportamento normal e se esqueçam dessas novas regras”, pontuou.

LEIA TAMBÉM: A transmissão do coronavírus por pessoas assintomáticas e pré-sintomáticas

A ingestão de alimentos, conversas e filas de banheiro também são preocupantes, pois permitem a circulação de gotículas entre pessoas. Se tudo isso ocorre em um ambiente sem ventilação natural, o problema é maior. “Há evidências de que os aparelhos de ar-condicionado possam contribuir para a propagação, potencialmente soprando gotículas ao longo do caminho”, disse o médico.

Continua após a publicidade

O especialista encerra sua fala afirmando que, em algumas ocasiões, apenas a etiqueta de higiene não será suficiente para manter-se seguro. “Em algumas situações, não importa quantas precauções você tome, continuará exposto a um alto risco. Bares são um exemplo disso.”

Publicidade