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Como o cigarro faz mal à pele

Estudo mostra como a exposição a concentrações de nicotina encontradas no cigarro, comum e eletrônico, pode causar sérios danos dérmicos

Por Simone Blanes Atualizado em 13 jul 2022, 17h01 - Publicado em 30 jun 2022, 12h34

Um estudo da Universidade Riverside da Califórnia, publicado no jornal Atmosphere, descobriu que a exposição dérmica a concentrações de nicotina encontradas no cigarro, THS (em inglês, thirdhandsmoke) e eletrônico, pode causar sérios danos a pele.

O THS é o resíduo do fumo criado pela fumaça da ponta dos cigarros acesos, que se instala em superfícies como roupas, cabelos, móveis e carros. Já nos eletrônicos, diz respeito aos derramamentos de e-líquido que podem ocorrer por produtos de cigarro eletrônico com vazamento ou quando consumidores e fornecedores misturam e-líquidos para cigarros eletrônicos recarregáveis. “Descobrimos que o contato dérmico com a nicotina pode prejudicar a cicatrização de feridas, aumentar a suscetibilidade a infecções da pele pela diminuição da resposta imune e causar estresse oxidativo nas células da pele”, disse Giovanna Pozuelos, doutora em biologia celular, molecular e de desenvolvimento da UC Riverside.

O estudo foi realizado usando EpiDermTM, um modelo 3D da epiderme humana, e queratinócitos cultivados, células epidérmicas que produzem queratina, proteína encontrada no cabelo e nas unhas. Os pesquisadores expuseram o EpiDermTM por 24 horas a diferentes concentrações de nicotina normalmente encontradas em ambientes com THS e derramamentos de cigarros eletrônicos. Passaram então a identificar processos e caminhos alterados pela exposição e investigaram o efeito da nicotina em organelas celulares, mitocôndrias e peroxissomos – organelas que contém enzimas envolvidas em muitas reações metabólicas.

De acordo com Giovanna, os indivíduos mais suscetíveis são aqueles com problemas de pele, como úlceras relacionadas ao diabetes ou úlceras arteriais. “O contato dérmico com resíduos de nicotina pode prejudicar a cicatrização de tais lesões cutâneas e aumentar a suscetibilidade a infecções cutâneas patogênicas”, explicou a especialista. “Crianças e bebês, que tendem a engatinhar em superfícies contaminadas ou têm contato frequente com superfícies internas, são particularmente suscetíveis à alta exposição dérmica por meses ou até anos.”

Felizmente, as alterações nas mitocôndrias dos queratinócitos humanos expostos à nicotina por 24 horas são reversíveis. “A pele pode se recuperar evitando a exposição dérmica contínua a ambientes contaminados com THS e manuseando adequadamente o e-líquido de cigarros eletrônicos”, disse Prue Talbot, professora de biologia celular e coautora do estudo. “É importante notar que uma exposição relativamente curta de 24 horas é suficiente para causar danos à pele”.

Giovanna enfatizou ainda que a gravidade dos problemas de pele depende tanto da duração da exposição quanto da concentração de nicotina. “Tanto o THS quanto os derramamentos e vazamentos de cigarros eletrônicos podem ser prejudiciais”, disse. “A exposição ao THS pode ser crônica para alguém que vive em uma casa contaminada com THS, o que pode levar à exposição dérmica persistente. Vendedores e consumidores que manuseiam ou usam cigarros eletrônicos que contêm altas concentrações de nicotina também podem ficar altamente expostos”.

A especialista aconselha consumidores e vendedores que lidam com cigarros eletrônicos a minimizar o contato dérmico usando equipamentos de proteção adequados e limpando adequadamente as áreas contaminadas. “Restrições ao fumo em ambientes fechados e políticas para remediar ambientes contaminados precisam ser implementadas”.

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