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Como funciona a dieta do jejum que conquista celebridades e anônimos

Regime prevê longos períodos sem nenhuma alimentação. A estratégia funciona, mas é preciso ter cuidado

Por Sabrina Brito - Atualizado em 31 jul 2020, 20h10 - Publicado em 31 jul 2020, 06h00
EM FORMA - Jennifer Aniston: a atriz é uma das adeptas da nova febre – Reprodução/Instagram

A modelo Gisele Bündchen, as atrizes Jennifer Aniston e Deborah Secco, a apresentadora Sabrina Sato e muitas outras celebridades garantem ter uma estratégia infalível para cuidar da boa forma. Elas ficam muitas horas, às vezes um dia inteiro — ou, nos casos radicais, até mais tempo —, sem comer. Por mais banal que possa parecer, a dieta do jejum prolongado tem conquistado adeptos por uma simples razão: a possibilidade de perder peso rapidamente. Gisele, que tem como objetivo principal não ganhar nem um quilo a mais, costuma fazer refeições completas apenas cinco dias na semana. Nos outros dois, ingere míseras 500 calorias, ou um quarto do que um adulto precisa. Certas vertentes permitem o consumo de alimentos leves durante a pausa, como frutas, café preto e chás. Outras defendem fechar a boca por 24 horas de uma a três vezes por semana. Antes do jejum, a última alimentação deve ser pobre em carboidratos, o que faz com que as taxas de insulina caiam e o corpo se prepare para queimar gordura. Depois dessa janela, os adeptos do jejum fazem uma refeição normal, de preferência rica em nutrientes e com pouca gordura. Laticínios e alimentos com muito glúten, portanto, devem ficar de fora.

RADICAL – Gisele: refeições completas só cinco dias na semana – Kevin Tachman/Getty Images

Funciona? A curto prazo, sim. Sem comida, o organismo passa a usar suas reservas de glicose, frequentemente guardadas como gordura. Mas é preciso ter cuidado. Isso porque o jejum interfere na ação natural de sentir fome na hora certa — quando falta glicose. Há o risco considerável de, pouco depois de o indivíduo parar de jejuar, o peso rapidamente voltar ao que era antes. Queda de cabelo, constipação, anemia, irritabilidade e falta de concentração são outras consequências possíveis de privar o corpo de alimentos. Por outro lado, os apoiadores da dieta afirmam que a prática reduz, por exemplo, o risco de doenças cardiovasculares. “Alguns estudos mostram que a dieta é promissora para gerenciar a obesidade e comorbidades associadas, desde que feita sob recomendação e com acompanhamento”, explica a nutricionista da Beneficência Portuguesa de São Paulo Cristiane Hanashiro. Para a jornalista Layal Antanios, 34 anos, o novo regime a ajudou a perder 20 quilos em apenas dois meses. “Hoje em dia, faço jejuns de doze horas em média”, diz. “Estou mais disposta e feliz. O jejum virou meu estilo de vida.”

MAIS MAGRA - A jornalista Layal Antanios; 20 quilos subtraídos – Claudio Gatti/VEJA

De tempos em tempos, alguma dieta que promete resultados milagrosos conquista legiões de adeptos para depois desaparecer por completo. Na década de 70, uma delas, ancorada em supostos estudos científicos, anunciava que bastava comer uma toranja em cada refeição (veja no quadro) que o problema de excesso de peso estaria resolvido. Dizia-se que a fruta possuía uma enzima que digeria gorduras de forma veloz, mas a tal propriedade nunca foi comprovada. Há alguns anos, uma ideia bizarra virou moda: trocar as refeições normais por papinhas de bebê. Quem aderiu à maluquice não perdeu muito peso e acabou apresentando quadros de deficiência de fibras e proteínas no organismo. A nova dieta do jejum virou febre na pandemia do coronavírus porque muitas pessoas engordaram com a inatividade forçada do home office. Agora, elas estão desesperadas para eliminar os quilos extras. Nesse caso, ficar sem comer obviamente ajudará, mas é preciso fazer isso respeitando uma velha máxima: procure antes um especialista. Até que surja uma nova onda de dieta.

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Publicado em VEJA de 5 de agosto de 2020, edição nº 2698

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