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Como a reciclagem ajudou a salvar crianças com pneumonia

Segundo estudo publicado no The Lancet, o dispositivo feito com frascos reciclados reduziu em 75% os casos de mortes pela doença em Bangladesh

Por Da Redação 11 out 2017, 18h10 | Atualizado em 4 jul 2026, 21h37
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Depois de anos de pesquisa e experiência em um hospital infantil em Bangladesh, o médico Mohammed Jobayer Chisti desenvolveu uma solução alternativa aos caríssimos ventiladores mecânicos que ajudam pacientes com pneumonia a respirar – um equipamento feito com frascos de xampu reciclados e tubos de plástico.

Maneira simples

O dispositivo – que até agora ajudou a reduzir em 75% os casos de mortes de crianças por pneumonia aguda no país, segundo um estudo publicado no periódico científico The Lancet – já foi utilizado no tratamento de mais de 600 crianças e funciona de maneira simples, liberando oxigênio através de um tubo, por meio das bolhas produzidas dentro do recipiente com água.

“As crianças inalam oxigênio de um tanque e expiram dentro de um tubo que é inserido no frasco com água, produzindo bolhas. A princípio, testamos em quatro ou cinco pacientes e logo vimos uma melhora significativa dentro de algumas horas.”, explicou Mohammed, que hoje trabalha no Centro Internacional de Pesquisa sobre Doenças Diarreicas de Bangladesh.

Falta de recursos

Tudo começou em 1996, quando o médico trabalhava no departamento de pediatria do Sylhet Medical College Hospital, em Bangladesh. “Foi a minha primeira noite como residente e três bebês morreram diante de meus olhos. Me senti impotente”, disse à BBC. Depois disso, ele fez a promessa de que faria algo para impedir que mais crianças morressem de pneumonia.

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O equipamento funciona de maneira simples, liberando oxigênio através de um tubo por meio das bolhas produzidas dentro do recipiente com água. A pressão das bolhas mantém os alvéolos pulmonares abertos, absorvendo oxigênio suficiente. (BBC/Reprodução)
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Devido à falta de recursos, na Ásia e África Subsaariana, cerca de 920.000 crianças morrem a cada ano com complicações da doença. O equipamento convencional custa aproximadamente 15.000 dólares (47.500 reais) e deve ser operado por uma equipe especializada – fora dos recursos dos hospitais de países em desenvolvimento. Por outro lado, o novo dispositivo faz um uso mais eficiente dos recursos, reduzindo os gastos anuais em oxigênio de 30.000 dólares (95.000 reais) para 6.000 dólares (19.000 reais).

Inovação

O dispositivo de Mohammed mostrou resultados melhores que os sistemas de baixo fluxo, tratamentos de baixo custo para pneumonia recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que ainda resultam em uma em cada sete mortes.

A inovação usa o conceito da terapia de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP), que evita que o pulmão entre em colapso e é utilizada na maioria dos países desenvolvidos. A pressão das bolhas mantém os alvéolos pulmonares abertos, absorvendo oxigênio suficiente.

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Pneumonia

A doença afeta os pulmões após infecções bacterianas, como o streptococcus, ou virais, como o vírus sincicial respiratório (VSR). O pulmão fica inchado, acumulando líquido e pus, reduzindo sua capacidade de absorver oxigênio.

“Eu acredito que essa inovação tem um grande potencial para reduzir as taxas de mortalidade porque qualquer hospital pode aderir à técnica”, disse Luthful Kabir, professor de pediatria Ad-din Women’s Medical College, em Bangladesh, e que não teve envolvimento no estudo. No entanto, apesar dos resultados positivos, mais pesquisas precisam ser feitas.

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