Colesterol: nova diretriz americana redefine metas e exames para proteger o coração
Documento amplia e antecipa medidas para controle do colesterol alto, um dos principais fatores de risco cardiovascular
A Associação Americana do Coração (AHA, na sigla em inglês) e o Colégio Americano de Cardiologia (ACC) anunciaram nesta sexta-feira, 13, diretrizes atualizadas para o controle do colesterol e a prevenção das doenças cardiovasculares — a causa número 1 de mortes no mundo.
Em linhas gerais, o documento conjunto define novas metas e exames para minimizar o risco cardíaco, sublinha a importância de intervir mais cedo no colesterol alto e ressalta o perigo no longo prazo de conviver com altas taxas de gordura no sangue.
Estima-se que ao menos quatro em cada dez brasileiros tenham alterações prejudiciais nos exames, o que aumenta a propensão a infarto e AVC, entre outras complicações.
“É uma diretriz que lembra muito a nossa, atualizada em 2025”, comenta o cardiologista André Zimerman, chefe da Unidade de Ensaios Clínicos do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. “Os alvos e limites preconizados são parecidos com os nossos e eles também chamam a atenção para a dosagem da lipoproteína (a), uma partícula particularmente nociva às artérias.”
Além de baixar as metas de controle do colesterol, a exemplo do guia nacional publicado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (você pode conferir um resumo dele aqui), a iniciativa americana sublinha a importância de ficar de olho nos agravantes de risco, fatores que, mesmo quando o LDL (o colesterol “ruim”) e o HDL (o “bom”) estão adequados, merecem atenção. “É o caso da apolipoproteína B”, diz Zimerman.
Na prática, essas mudanças vão se refletir no check-up, que deve considerar a inclusão de exames de sangue para mensurar a lipoproteína (a), apelidada entre os experts de “colesterol amaldiçoado”, e a apolipoproteína B, por exemplo, além do escore de cálcio, medido com um exame de imagem das artérias.
O documento elaborado pelas principais entidades de cardiologia dos Estados Unidos é amparado em dezenas de estudos e defende mudanças no estilo de vida e o início de tratamento medicamentoso ainda mais cedo nos casos de colesterol elevado. Entre os hábitos encorajados estão manter o peso, praticar exercícios, evitar o cigarro (incluindo o eletrônico) e buscar boas noites de sono.
Nesse sentido, também é fundamental contar com o apoio dos medicamentos que baixam o colesterol, cuja principal classe é a das estatinas. Isso porque nem sempre ajustes no estilo de vida são suficientes para conter as taxas gordurosas em um nível condizente com o risco do paciente. Para tanto, a exemplo dos médicos brasileiros, os americanos defendem o uso de uma calculadora de risco cardiovascular, a PREVENT, que é referendada por pesquisas.
“Uma das mudanças importantes trazidas pela diretriz americana é a questão da prevenção da exposição cumulativa ao colesterol e às placas de gordura. Em vez de olhar para um risco nos próximos dez anos, é preciso mirar o longo prazo”, afirma Zimerman. “O trabalho também ressalta a relevância de exames para detectar a aterosclerose subclínica, quando ainda não vemos manifestações do depósito de placas nos vasos.”
Outro ponto que chamou a atenção do especialista do Hospital Moinhos de Vento é a recomendação de não substituir os medicamentos tradicionais, validados por grandes estudos, por suplementos alimentares ou fitoterápicos que prometem diminuir o colesterol — e são populares na internet.
Por fim, Zimerman acredita que a diretriz brasileira supera a americana quando se fala em pacientes de risco extremo — como aqueles que já infartaram e têm placas nas artérias. “Em linha com os europeus, a gente recomenda baixar ainda mais o colesterol LDL para diminuir o risco desses pacientes, algo baseado nas evidências científicas atuais.”





