Oferta Inédita: Assine por apenas 7,99

Carta ao Leitor: A tragédia do nosso tempo

Infelizmente, os números da Covid-19 ainda crescerão. Há, contudo, um movimento positivo, de esperança: a vacinação começa a andar mais rápido

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 jun 2021, 06h00 | Atualizado em 4 jun 2024, 13h34
Carta ao Leitor: A tragédia do nosso tempo Priorizar nos meus resultados Google

É difícil ter a dimensão histórica de fatos que se desenrolam diante de nossos olhos — muitas vezes, torna-se necessário algum distanciamento para compreender a extensão daquele acontecimento. No caso da pandemia do novo coronavírus, no entanto, não há dúvida: trata-se da maior tragédia do nosso tempo. Crianças em fase de alfabetização deixaram as escolas, pais perderam o emprego, economias em todo o planeta sofreram um baque descomunal. Mas nos lembraremos, de modo indelével, com pranto e emoção, das vidas que se foram: mais de 4 milhões em todo o mundo, até agora. Nos próximos dias, o Brasil alcançará a inaceitável, triste e terrível marca de 500 000 mortes. Não há precedentes. A aids, desde 1981, ao longo de quarenta anos, portanto, matou 350 000 brasileiros. Na Guerra do Paraguai, foram 50 000 perdas de soldados enviados ao combate por dom Pedro II entre 1864 e 1870.

Infelizmente, os números da Covid-19 ainda crescerão, talvez em ritmo menos veloz, porém preocupante. Uma reportagem desta edição de VEJA mostra que, na frieza estatística, a vítima preferencial do vírus, desde a primeira morte registrada no Brasil, há quinze meses, são homens brancos de 60 a 69 anos. Mas não só. Estudo demográfico da Escola de Saúde Pública de Harvard revela que, em 2020, a expectativa de vida recuou 1,94 ano em média no país. E a relação entre nascimentos e mortes, que era de 2,20 para 1 antes da crise, agora é de 1,26 para 1.

Há, contudo, apesar da dor, um movimento positivo, de esperança: a vacinação começa a andar mais rápido. Em alguns estados, foi anunciada a antecipação das vacinas para pessoas com menos de 60 anos. É fato louvável, a ser celebrado — e que, curiosamente, vem acompanhado de um outro efeito, de ordem política. Há uma competição entre governadores, e uma pressão de governadores sobre o governo federal, para saber quem oferecerá antes a imunização. Melhor assim. É briga boa, afeita a iluminar uma irresponsabilidade. Como revelou VEJA na entrevista exclusiva com o ex-secretário de Comunicação do Planalto Fabio Wajngarten, que o levaria a ser chamado a depor na CPI em Brasília, a equipe de Jair Bolsonaro desdenhou das negociações para a compra de doses da farmacêutica americana Pfizer. Se tivessem sido importadas antes, não estaríamos à beira da marca de meio milhão de famílias destroçadas. Muito possivelmente começaríamos a ensaiar uma volta à normalidade, como acontece atualmente nos Estados Unidos e na Europa. Mas o presidente não quis assim — e o tempo perdido foi o atalho para números catastróficos. Que os brasileiros aprendam com a lição de hoje para que tal tragédia nunca mais se repita.

Publicado em VEJA de 23 de junho de 2021, edição nº 2743

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Estádio de futebol lotado com bandeira do Brasil e bola no campo, e um jogador de camisa amarela comemorando. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas flutuando sobre fundo verde escuroTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca no canto inferior direito
OFERTA CAMPEÂ

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 29% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00) + Abril Signature Ouro, o novo programa de benefícios da Abril, que te dá acesso a descontos exclusivos e cashback em centenas de estabelecimentos.
De: R$ 55,90/mês
A partir de R$ 39,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).