Câncer de próstata: Anvisa aprova opção de tratamento que reduz risco de progressão ou morte em 46%
Darolutamida poderá ser usada em estratégia que diminui avanço da doença e sintomas como dor e fadiga; estudo apontou função cognitiva mais preservada
O medicamento para câncer de próstata darolutamida recebeu aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como uma nova opção de estratégia de tratamento contra a doença que soma cerca de 78 mil novos casos por ano no Brasil. De acordo com a farmacêutica Bayer, a aprovação considerou um estudo de fase 3 que apontou redução de 46% no risco de progressão da doença ou morte em pacientes que utilizaram a medicação combinada com a terapia hormonal.
A darolutamida já é autorizada para uso de pacientes câncer de próstata hormônio sensível metastático, ou seja, que se espalhou pelo corpo, em combinação com quimioterapia. A novidade é que, a partir de agora, poderá ser usada como opção para atacar o tumor ao lado da ADT, a terapia de privação androgenética, o método que diminui os níveis de testosterona – hormônio que “alimenta” o tumor –.
“O Brasil registra hoje cerca de 48 mortes por dia em decorrência do câncer de próstata. Diante desse cenário, a nova aprovação da Anvisa é um marco, pois permite controlar o avanço da doença com um tratamento altamente eficaz e que também promove segurança, tolerabilidade e manutenção da qualidade da vida”, afirma o médico oncologista Denis Jardim, professor de pós-graduação no Hospital Sírio Libanês.
Além da redução de 46% no risco de avanço da doença e morte, o estudo ARANOTE mostrou benefícios mais expressivos em determinados recortes. Exemplo disso é a diminuição de 70% nesses desfechos graves em pacientes com baixo volume de espalhamento das células cancerígenas pelo organismo. Mesmo em casos de alto volume metastático, a queda foi de 40%.
Outro ponto considerado importante foi o benefício observado para a qualidade de vida dos pacientes. A nova abordagem para o tratamento aumentou o intervalo para avanço da dor e demonstrou baixa incidência da fadiga, evento adverso que compromete a rotina dos pacientes.
Preservação cognitiva
Outro estudo randomizado de comparação direta, patrocinado pela Alliance Foundation Trials LLC, mostrou que os pacientes tratados com darolutamida apresentaram menor declínio no desempenho cognitivo objetivo em comparação com aqueles tratados com enzalutamida.
As análises dos escores de domínios cognitivos individuais sugeriram um possível efeito de aprendizagem (aumento dos escores) com darolutamida, enquanto os escores permaneceram estáveis ou apresentaram leve declínio com enzalutamida em 24 semanas. Essa manutenção mental é crucial para garantir que os pacientes possam permanecer independentes, criando memórias e interagindo ativamente com suas famílias no dia a dia.
Este achado é considerado em estudos pelo fato de que o câncer de próstata atinge principalmente idosos e o aparecimento de demências, como o Alzheimer, ocorrem nessa fase da vida.
Câncer de próstata
O câncer de próstata é o segundo mais comum entre homens e considerado um tumor relacionado ao envelhecimento, considerando que 75% dos casos ocorrem após os 65 anos.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), são estimados 77.920 novos episódios para cada ano do triênio 2026 a 2028 e 17.826 mortes.
Além da idade, obesidade, tabagismo e casos na família são fatores de risco para a doença.







