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Brasil ultrapassa 150 dias de vacinação com um terço da velocidade dos EUA

Ao completar cinco meses de aplicação de vacina, Brasil tinha 11% da população imunizada com duas doses, Estados Unidos 36%

Por Mariana Rosário Atualizado em 23 jun 2021, 19h27 - Publicado em 23 jun 2021, 18h41

Na última semana, o Brasil chegou aos 150 dias de aplicação de vacinas contra a Covid-19. Até a quarta-feira, 16, quando completou-se esse ciclo, o país tinha 11% de brasileiros totalmente imunizados com duas doses de antígenos contra o coronavírus. Nesta quarta-feira, 23, são 11,9%.

Ainda que o número total de doses impressione — naquele dia eram por volta de 83 milhões milhões de antígenos aplicados— nossa média está muito aquém do que foi visto em outros países que encamparam a imunização contra a doença como tarefa principal para, enfim, sair da pandemia. No seu 150º dia, os Estados Unidos exibiam 36% da sua população totalmente imunizada, três vezes mais que o Brasil, o Reino Unido 31% e Israel 59%. Os dados internacionais foram coletados no painel do Our World in Data, ligado à Universidade de Oxford.

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Os países que perseguiram a meta de vacinar muito e rápido agora aproveitam os ganhos de sua celeridade, flexibilizando o uso de máscaras, permitindo eventos, circulação de pessoas, mas sem abandonar totalmente a cautela, é importante dizer. Ainda assim, não é preciso ir tão longe para compreender a potência de uma vacinação ampla e rápida.

A cidade de Serrana, a 313 quilômetros da capital paulista, oferece um luminoso exemplo para incentivar a vacinação em massa. Por meio de um estudo controlado pelo Instituto Butantan, 95% dos adultos do município receberam duas doses do imunizante CoronaVac, da chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, amplamente utilizado no Brasil. De acordo com os especialistas, quando atingiu-se a média de 75% dos adultos com esquema vacinal completo, a pandemia foi controlada. Os dados impressionam: 80% em redução de casos sintomáticos, 86% menos internações e as mortes despencaram em 95%. “Está comprovado que podemos controlar a pandemia em curso desde que a vacinação seja acelerada”, diz Ricardo Palacios, diretor médico de pesquisa clínica no Butantan. “Caso a vacinação seja lenta, você empurra o vírus em alta circulação às faixas etárias mais jovens, suscetíveis à infecção. Quando você vacina rapidamente, a circulação da doença comprometida e, assim, é possível reduzir o alcance vírus para todos, até entre os que não são vacinados”.

Confira o avanço da vacinação no Brasil

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