Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Botox nas axilas: o truque dos globais para evitar o suor

Substância exaltada pela propriedade de tirar rugas sem bisturi vem sendo usada cada vez mais com a finalidade de acabar com manchas embaixo do braço

Tratamentos para melhorar a estética pressupõem uma intervenção em pontos da geografia corporal que chamam atenção: rosto, colo, busto, nádegas. Um implante de silicone aqui, sessões de laser ali, agulhadas acolá, tudo é feito para aprimorar o que vai ser visto (ainda que com roupa por cima) e apreciado. E onde as axilas, recantos tão escondidos do corpo, entram nessa equação? Soa esquisito, mas, sim, elas estão cada vez mais no foco das clínicas de estética desde que se disseminou o uso da toxina botulínica, o Botox, para reduzir drasticamente o suor e acabar com o problema do odor e das manchas embaixo do braço. Os profissionais da área calculam que o uso da técnica vem crescendo 30% ao ano, impulsionado por artistas que precisam suportar longas horas de gravação sob luz forte e por não famosos que só querem mesmo se livrar da chateação. “É a maneira mais simples de diminuir e até zerar a transpiração”, explica a dermatologista de celebridades Denise Barcelos.

SEQUINHO – Malvino: depois do Botox nas axilas, “sensação de estar mais limpo”

SEQUINHO – Malvino: depois do Botox nas axilas, “sensação de estar mais limpo” (Estevam Avellar/TV Globo)

 (./.)

Na novela das 9, pelo menos três atores — Juliana Paes, Malvino Salvador e Agatha Moreira — se submeteram à técnica. “Sem suar, você fica com a sensação de estar mais limpo”, elogia Malvino, botocado há quatro meses. A rigor, a aplicação de Botox é indicada para quem sofre de hiperidrose, ou suor excessivo, uma condição sem causa bem definida que parece estar ligada a fatores genéticos e emocionais, além de obesidade e menopausa. Uma vez aplicada, a toxina botulínica inibe a ação da acetilcolina, um neurotransmissor que regula as glândulas produtoras do suor. O paciente se deita na maca, recebe um creme anestésico nas axilas e vinte minutos depois — e vinte a trinta picadas de cada lado — vai para casa (veja o quadro). A transpiração começa a diminuir em 48 horas e o efeito dura de seis a nove meses, prazo que pode aumentar com o passar do tempo. “A redução da ansiedade durante o procedimento ajuda. Chega um momento em que é preciso aplicar apenas uma vez ao ano”, diz Denise. O tratamento custa, em média, 2 000 reais por axila.

Quando não havia Botox, só quem tinha hiperidrose grave pensava em apelar para o único tratamento disponível: a cirurgia de retirada de glândulas. A toxina ganhou, com isso, ares de substância libertadora. “Eu não conseguia usar blusas com mangas devido às marcas de suor”, diz, com entusiasmo de fã, a professora de ioga Joyce Berndt. Temida durante séculos por ser o agente causador do botulismo, doença paralisante muitas vezes fatal, a toxina botulínica foi reabilitada a partir da virada do século, quando se dominou a técnica de usá-la para fins nobres — sendo o mais conhecido e admirado deles acabar com as rugas da testa e os pés de galinha. “A hiperidrose acomete quase 3% da população”, afirma Sérgio Palma, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

VALE QUANTO DÓI – Juliana: para artistas que gravam sob luz forte, não transpirar é uma vantagem

VALE QUANTO DÓI – Juliana: para artistas que gravam sob luz forte, não transpirar é uma vantagem (Sergio Zalis/VEJA)

Além das axilas, a palma das mãos, a sola dos pés, o couro cabeludo e a virilha podem receber aplicações de Botox para reduzir a transpiração. Se o tratamento contempla apenas um ou outro ponto crítico, não há contraindicação. “A sudorese é uma condição fisiológica necessária para regular a temperatura corporal quando ela sobe. Mas o excesso pode e deve ser combatido, por trazer grande desconforto e impactar até a vida profissional das pessoas”, explica a dermatologista Denise. Que ninguém se engane: dói. A atriz Fernanda Souza, que já teve de interromper muitas gravações para secar o suor nas axilas, apelou para o método, mas não nega ter penado com as agulhadas. “Chegou uma hora em que disse: ‘Ah, moça. Deixa suar. Deixa suar que eu sou um ser humano’ ”, contou. Como quase tudo na vida, é uma questão de pesar o custo-­benefício e decidir.

Com reportagem de Jana Sampaio

Publicado em VEJA de 4 de setembro de 2019, edição nº 2650