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Amamentação reduz em 25% o risco de obesidade, diz OMS

De acordo com um novo estudo, o aleitamento materno exclusivo nos primeiros 6 meses de vida é essencial para reduzir a probabilidade de obesidade infantil

Não é novidade que a amamentação é extremamente importante para o desenvolvimento do bebê e para o vínculo entre mãe e filho. Agora, um novo estudo conduzido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostra que o aleitamento materno protege contra a obesidade infantil. Principalmente quando esta é a forma exclusiva de alimentação do bebê nos primeiros seis meses de vida.

De acordo com o estudo, crianças que nunca foram amamentadas tinham uma probabilidade 22% maior de serem obesas. Para as crianças que mamaram por menos de seis meses, o risco caiu para 12%, mas ainda existiu. Por outro lado, aquelas que foram exclusivamente alimentadas pelo leite materno no primeiro semestre de vida corriam um risco 25% menor de obesidade.

“Precisamos de mais medidas para incentivar o aleitamento materno, como a licença maternidade remunerada. Precisamos de um marketing menos inapropriado de fórmulas [leite em pó para bebês], que podem levar algumas mães a acreditarem que elas são tão boas para os bebês quanto o leite materno”, disse João Breda, do Escritório Europeu de Prevenção e Controle de Doenças Não Transmissíveis da OMS, ao The Guardian.

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Os dados são provenientes da análise de 30.000 crianças monitoradas como parte da iniciativa Vigilância da Obesidade Infantil (Cosi, na sigla em inglês) da OMS. Lançada em 2007, a iniciativa é continuamente atualizada e, atualmente, recebe dados provenientes de 40 países, de crianças com idade entre 6 e 9 anos.

O estudo, apresentado durante o Congresso Europeu de Obesidade, realizado em Glasgow, no Reino Unido, mostrou que 16,8% das crianças que nunca tinham sido amamentadas eram obesas, em comparação com 13,2% das crianças que mamaram por algum tempo e 9,3% daquelas que foram amamentadas por, no mínimo, seis meses.

Algumas das razões apontadas pelo estudo publicado no periódico científico Obesity Facts, são: o aleitamento materno exclusivo retarda a introdução de alimentos sólidos; as fórmulas infantis (leite em pó exclusivo para bebês) aumentam o nível de insulina no sangue dos bebês – em comparação com o leite materno -, o que pode estimular o acúmulo de gordura; e mães que amamentam têm um estilo de vida mais saudável.

Independente das razões, os pesquisadores afirmam que as mulheres devem saber que a amamentação é uma forma de proteger o bebê contra a obesidade. “Amamentar tem um efeito extremamente positivo. A evidência existe. O benefício é excelente e deveríamos dizer isso às pessoas.”, afirma Breda.

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Sue Ashmore, diretora da Iniciativa de Amigos da Criança do Unicef ​​UK, ressalta os benefícios do leite materno:  “O leite humano – leite materno – é projetado especificamente para bebês humanos. Não só age como a primeira vacina do bebê, protegendo contra infecções, mas também afeta a saúde a longo prazo, inclusive atuando como a primeira defesa contra a epidemia de obesidade”, explicou ao The Guardian.

Kate Brintworth, diretora de transformação da maternidade do Royal College of Midwives, no Reino Unido, disse ao The Guardian que o estudo reforça a necessidade de mais recursos para apoiar as mulheres a amamentar. Ela lembra também que, por vários motivos, algumas mulheres não conseguem amamentar e outras não podem. Independente da escolha, é preciso respeitar a decisão. “É importante que respeitemos as escolhas alimentares de uma mulher e que, se uma mulher escolher não amamentar, por qualquer motivo, ela precisará ser apoiada nessa escolha.”