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Algumas pessoas têm defesa contra a Covid mesmo sem terem sido infectadas

Acredita-se que a resposta imune gerada por infecções prévias por outros coronavírus possa oferecer algum tipo de proteção à Covid-19

Por Da redação - 31 jul 2020, 19h58

Um estudo publicado na revista científica Nature na quarta-feira, 29, mostrou que algumas pessoas têm algum tipo de imunidade contra o novo coronavírus mesmo sem terem sido infetadas. A principal hipótese dos pesquisadores para explicar esse fato é que essas pessoas tenham sido expostas anteriormente a coronavírus endêmicos e isso tenha gerado algum tipo de reatividade cruzada.

“O SARS-CoV-2 é o sétimo coronavírus humano que foi descoberto, e quatro dos coronavírus humanos são o que chamamos de coronavírus adquiridos na comunidade, e juntos esses quatro são responsáveis ​​por 25% de nossos resfriados comuns. Quase todas as pessoas no mundo tiveram algum encontro com um coronavírus e, como fazem parte da mesma família, existe uma imunidade reativa cruzada que se desenvolve”, disse Amesh Adalja, pesquisador sênior do Centro de Segurança da Saúde da Universidade Johns Hopkins , nos Estados Unidos, à CNN americana. O pesquisador não estava envolvido no estudo

Pesquisadores de várias instituições da Alemanha e do Reino Unido chegaram a essa conclusão após avaliarem uma amostra de 68 adultos saudáveis que não tiveram contato com o Sars-Cov-2, nome oficial do novo coronavírus. Destes, 35% tinham no sangue células T que eram reativas ao vírus.

As células T fazem parte do mecanismo de defesa do nosso organismo e ajudam a proteger o corpo contra infecções. Elas funcionam como uma memória imunológica prontas para entrar em campo caso o mesmo patógeno entre no organismo novamente. Por outro lado, quando as células T geradas no combate a uma infecção são usadas na resposta à outra infecção semelhante, acontece o que os cientistas chamam de “reatividade cruzada”.

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Os pesquisadores ainda não têm certeza sobre do nível de proteção contra a Covid-19 que essas células podem oferecer às pessoas, mas eles acreditam que existe uma grande probabilidade de elas ao menos reduzirem a gravidade da doença.

“Pelo estudo, parece que há uma proporção significativa de indivíduos que têm essa imunidade de células T reativas a outras infecções por coronavírus e que podem ter algum impacto na forma sua resposta ao novo coronavírus. Acho que a grande questão é saltar do fato de que eles têm essas células T para entender de fato qual pode ser o papel dessas células [diante da infecção]“, disse Adalja à CNN.

O novo estudo envolveu a análise de amostras de sangue de 18 pacientes Covid-19, com idades entre 21 e 81 anos, e doadores saudáveis, com idades entre 20 e 64 anos, com base na Alemanha. O estudo descobriu que as células T reativas ao coronavírus foram detectadas em 83% dos pacientes do Covid-19.

Embora os pesquisadores também tenham encontrado células T reativas cruzadas pré-existentes em doadores saudáveis, eles escreveram no estudo que o impacto dessas células no resultado de uma doença do Covid-19 ainda permanece desconhecido. Os resultados do estudo certamente exigem mais pesquisas, disse o Dr. Amesh Adalja,, que não participou do novo estudo.

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Inicialmente, os anticorpos ganharam destaque na discussão sobre a duração da imunidade contra a doença. Porém, recentemente, os pesquisadores passaram a olhar também para as células T. Ambos fazem parte do sistema imunológico e atuam em frentes diferentes no combate a um invasor.

O novo estudo não é o único a sugerir um certo nível de imunidade preexistente entre algumas pessoas ao novo coronavírus. Em artigo publicado no início do mês também na Nature, os pesquisadores Alessandro Sette e Shane Crotty, da Universidade da Califórnia em San Diego, nos EUA, escreveram: “está estabelecido que a reatividade imunológica pré-existente ao SARS-CoV-2 existe em algum grau na população em geral. É possível, mas ainda não comprovado, que isso possa ser causado por imunidade ao resfriado causado por coronavírus comuns”.

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