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Coronavírus: aglomerações em SP poderão ser dispersadas pela PM, diz Doria

Governador frisou que nenhuma grande concentração de pessoas será admitida; entrevista coletiva marcou retorno do médico David Uip, curado da Covid-19

Por Da Redação 6 abr 2020, 14h08

Após anunciar a prorrogação da quarentena para conter o novo coronavírus, nesta segunda-feira, 6, o governador João Doria (PSDB) afirmou que “nenhuma aglomeração, de nenhuma espécie, em cidade ou área do Estado de São Paulo será admitida”. Doria acrescentou que “as guardas municipais ou guardas metropolitanas deverão agir e, se necessário, recorrer à Polícia Militar do Estado de São Paulo para que imediatamente possa haver a dissipação de qualquer movimento ou aglomeração”. O governador afirmou que a decisão será publicada na terça-feira 7 no Diário Oficial.

O novo prazo para o fim da quarentena está previsto para 22 de abril. Nesta lógica, devem funcionar apenas os serviços essenciais, como os setores de alimentação, saúde e abastecimento, por exemplo.

  • Em tom incisivo, Doria afirmou que há um consenso entre a classe médica e científica a favor do isolamento e criticou o presidente Jair Bolsonaro por ser contrário a medida em grande escala. O governador ergueu o tom a referir-se a pessoas que estariam pressionando ele e o prefeito Bruno Covas para o retorno das atividades normais em São Paulo. “Vocês estão preparados para assinar os atestados de óbitos dos brasileiros?”, desafiou.

    A entrevista coletiva também marcou o retorno do infectologista David Uip, afastado desde 23 de março, após infecção por Covid-19. Ele volta a assumir o Comitê de Contingência do novo coronavírus no governo do Estado. No encontro, o médico afirmou que após o difícil período de adaptação — que ele chamou de “sofrimento muito grande” — , mudou sua forma de viver. “Tive que criar um David novo, mais humilde, sabendo dos limites da vida”, disse. Após a fala, foi aplaudido.

    Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, garantiu que as medidas de isolamento precisam de aumento de aderência para que seja possível combater o vírus. De acordo com pesquisas já publicadas pela Instituição, 166 000 vidas serão poupadas em todo período da pandemia caso as medidas sejam seguidas à risca. “Essas medidas precisam ser respeitadas”, afirmou.

    Ameaças

    Doria afirmou que têm recebido uma série de ameaças, precisou até trocar de número de celular. “Neste final de semana, renovaram as ameaças a minha família e aos meus filhos que estão fora de São Paulo”, disse.

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