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Úrsula Corberó: O rosto atrás da máscara de Dalí

A atriz espanhola que vive uma assaltante em 'La Casa de Papel' fala do sucesso — e das armas — da série da Netflix

Por Patrícia de Holando - 23 mar 2018, 06h00

La Casa de Papel está muito popular no Brasil. O sucesso surpreendeu? Muito. Não esperávamos. Na Espanha, em um canal a cabo, a série funcionou bem, mas o que acontece no Brasil e na Argentina é meio explosivo. Percebi isso no mês passado.

Como? Começaram a me marcar no Instagram e, quando vi, eram fotos de brasileiros no Carnaval, com as máscaras e os macacões vermelhos dos personagens. Havia gente tatuada com o desenho do meu rosto, grafites enormes dos assaltantes e até meninas com um corte de cabelo igual ao da Tokio, minha personagem. Pensei: “O que está acontecendo?”. Nosso elenco tem um grupo no WhatsApp, para o qual enviei para eles todas as coisas do seu país, como um vídeo lindo com crianças que cantam a música Bella Ciao.

Os assaltantes da série usam uma máscara do pintor Salvador Dalí. Por que essa escolha? Minha mãe dizia que Dalí era um artista que provocava sensações diferentes: era magnético, mas algo nele dava medo. Creio que Álex Pina, criador de La Casa de Papel, buscou essa sensação com a máscara. Mas confesso que era difícil gravar com ela.

Por quê? As máscaras acumulavam vapor. E, com elas, não sabíamos quem era quem na hora de gravar. Repetimos algumas cenas muitas vezes.

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Como foi o manuseio das armas? Fomos até a polícia em Madri para provas de tiro com pistola e espingardas. Nunca havia pegado em armas. Quando disparei pela primeira vez, eu me senti um pouco poderosa, sabe? Mas sou baixinha, tenho 1,63 metro, e minhas mãos são pequenas. Fiquei assustada de correr com armas grandes e pesadas. Foi quando decidiram que Tokio deveria usar uma metralhadora mais leve. Não sei se dá para perceber, mas minha personagem é a única dos assaltantes com um modelo de arma diferente. Legal, né?

Publicado em VEJA de 28 de março de 2018, edição nº 2575

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