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Presos ao passado

A força do Partido Colorado, o hidropopulismo com Itaipu e o protagonismo do ex-padre Fernando Lugo tornam a eleição em Assunção uma reedição das anteriores

Por Duda Teixeira - 20 abr 2018, 06h00

A eleição paraguaia, marcada para o domingo 22, é uma repetição dos pleitos precedentes. O líder das pesquisas, que está 20 pontos porcentuais à frente do segundo colocado, é Mario Abdo Benítez, o Marito, do Partido Colorado. É a mesma agremiação do atual presidente, Horacio Cartes, a qual governou o país em 64 dos últimos 69 anos, incluindo todo o período da ditadura de Alfredo Stroessner, que morreu exilado no Brasil, em 1989. Benítez, aliás, é filho do ex-secretário pessoal de Stroessner.

Estima-se que 54% dos paraguaios sejam membros do Partido Colorado, já que a filiação ajuda muito a garantir um emprego público. “O Partido Colorado continua poderoso e qualquer um que se apresente como seu candidato tem grande chance de ser vitorioso”, informa Francisco Capli, diretor do instituto First de pesquisas de opinião, com sede em Assunção.

Outro ponto em comum com o passado é o hidropopulismo. Apoiados entusiasticamente pela imprensa local, os candidatos prometem rever as condições do Tratado de Itaipu, de 1973. Pelo acordo, o Paraguai é obrigado a vender ao Brasil, e não a outro país, sua energia excedente. “Defenderei os interesses nacionais com patriotismo, recuperarei a soberania em Itaipu”, prometeu Marito. O tema também é recorrente nos discursos do segundo colocado, Efraín Alegre, do Partido Liberal Radical Autêntico. Quem ganhar o pleito ficará responsável por renegociar o anexo C do tratado, que vence em 2023 e define as tarifas e o pagamento dos royalties pela venda de energia.

O mais surpreendente na campanha é a resiliência do ex-padre e ex­-presidente Fernando Lugo, que sofreu impeachment em 2012 e cujo partido, a Frente Guasú, ganhará terreno no Congresso. Diz Thomaz Favaro, diretor de uma consultoria de controle de riscos: “Lugo construiu uma narrativa de que não obteve avanços na Presidência por falta de apoio político e não se envolveu nos escândalos de corrupção”.

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Publicado em VEJA de 25 de abril de 2018, edição nº 2579

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