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Preciosos ensinamentos à família

Temos feito o possível e o impossível para evitar que os filhos sofram

Por Rosely Sayão
Atualizado em 20 abr 2018, 06h00 - Publicado em 20 abr 2018, 06h00

Muitos pais tomaram conhecimento da notícia de que um garoto de 16 anos cometeu suicídio recentemente e, com razão, ficaram preocupados. Motivos para tanto, todos nós temos: o índice de suicídio tem crescido em nosso país, acompanhando a tendência mundial, e não contamos com políticas públicas efetivas de prevenção. Até agora, o Centro de Valorização da Vida (CVV) tem sido o melhor caminho disponível para quem precisa de ajuda e a quer.

Toda vez que acontece uma tragédia que envolve o suicídio de adolescentes ou jovens adultos, é inevitável que surjam hipóteses para explicar o ocorrido.

Depressão, pressão em demasia, pais ausentes ou displicentes, família problemática, falta de acompanhamento profissional — eis algumas causas que costumam surgir com muita frequência. Entretanto, todas elas nada mais são do que o resultado do julgamento que fazemos da situação. Sim: julgamos o suicídio porque é muito difícil tratar dessa questão de outra maneira que não procurando culpados. Mas o fato é que a verdade foi embora com quem não conseguiu encontrar um sentido em sua vida e, por isso, praticou o suicídio.

As tragédias podem nos ajudar a pensar a respeito de nossa humanidade, de nossas paixões, de nossos sofrimentos. E, quando o suicídio de um jovem nos afeta, podemos pensar, por exemplo, no tipo de formação que temos oferecido aos que estão sob a responsabilidade dos adultos: pais, em primeiro lugar, e todos os demais envolvidos de modo direto (escolas, por exemplo) ou indireto (a sociedade como um todo).

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É inegável que temos feito o possível e o impossível para evitar que nossos filhos sofram, não é? Já há algumas décadas que muitos pais vêm fazendo de tudo para que os filhos não tenham de enfrentar as adversidades que a vida lhes impõe. A presença marcante dos pais nos momentos em que os filhos devem resolver problemas está se estendendo cada vez mais.
Não receber o convite para uma festa de aniversário de um colega, ter de arcar com uma punição — justa ou injusta — na escola, precisar solucionar questões na secretaria ou na tesouraria da faculdade: nisso tudo os pais estão presentes. Como crianças e adolescentes terão a oportunidade de construir resiliência e ferramentas pessoais para enfrentar os problemas que eles mesmos criam — e os que caem sobre os ombros deles —, dessa maneira? Precisamos lembrar que a infância e a adolescência são os melhores períodos para que os mais novos conheçam as adversidades da vida e sofram com isso porque têm o amparo dos adultos para seguir em frente.

Temos, também, apontado o futuro profissional como a grande meta a ser atingida. É bom saber que isso é insuficiente para permitir que um adolescente consiga vislumbrar essa como uma questão que dê um significado à sua vida. E precisamos de um sentido para viver. É a vida pessoal que, em geral, oferece isso. Ajudar o filho a construir virtudes, a manter amizades verdadeiras mesmo que isso lhe custe sacrifício, a entender que não vivemos sem os outros, a respeitar as diferenças, a pedir ajuda sempre que necessário são ensinamentos que podemos oferecer a ele. Temos feito isso?

Publicado em VEJA de 25 de abril de 2018, edição nº 2579

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