O talento múltiplo do humor

Morre, aos 86 anos, o humorista Agildo Ribeiro

Por Da Redação - 4 maio 2018, 06h00

O humorista carioca Agildo da Gama Barata Ribeiro Filho era capaz de nos fazer rir de tudo. Até mesmo de relatos minuciosos do que seriam os tratamentos das doenças sexualmente transmissíveis antes da penicilina e antes do politicamente correto. Morto no sábado 28, aos 86 anos, de problemas cardíacos, o popular Agildo Ribeiro deu seu último show sobre o tema em 2013, no sofá do Programa do Jô. Continuava afiadíssimo. “Minha missão na Terra é divertir as pessoas, desde a hora em que acordo até dormir”, dizia. Sua arma era o talento múltiplo de excelente imitador, criador de bordões e satirista político.

Nascido num clã tradicional, Ribeiro teve a política, aliás, como elemento central em sua vida. Seu pai, Agildo Barata, participou da Revolução de 1930 e lutou na Intentona Comunista de 1935 ao lado de Luís Carlos Prestes. Já no colégio militar, o garoto Ribeiro revelava-se um tremendo gozador. Antes de comediante, era ator de respeito: no teatro, foi o primeiro protagonista de O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, em 1957. Mas ele se consagrou mesmo na TV. Ribeiro antecipou o fenômeno dos programas infantis como os de Xuxa e afins ao contracenar com o ratinho Topo Gigio no fim da década de 60. Na virada dos anos 1990, fazia o país gargalhar com imitações do estilista Clodovil. A fixação pelas mulheres movia seu tipo mais famoso, o professor Aquiles Arquelau. Com fetiche por Bruna Lombardi, o verborrágico personagem, sempre que era interrompido por seu mordomo, tascava o bordão que ficou gravado na memória do Brasil: “Múmia paralítica!”.


CARTÃO VERMELHO

O dirigente - Afastado das atividades para o resto da vida

O dirigente - Afastado das atividades para o resto da vida Sergio Moraes/Reuters

Marco Polo Del Nero começou a subir degraus no futebol como advogado do Palmeiras, na década de 70 — teve as portas abertas por influência do pai, um meia habilidoso e veloz que defendeu as cores alviverdes nos anos 1930 e 1940, conhecido apenas pelo sobrenome, Del Nero. Bem-sucedido nas bancas de direito, trabalhou no Tribunal de Justiça Desportiva em São Paulo, presidiu a Federação Paulista de Futebol durante onze anos e, em 2014, chegou à presidência da Confederação Brasileira de Futebol. Na sexta-feira 27, sua bola murchou inapelavelmente. A Federação Internacional de Futebol (Fifa) decidiu bani-lo pelo resto da vida de qualquer atividade relacionada ao esporte, no plano nacional e no internacional. A entidade considerou Del Nero culpado de infringir cinco artigos do código de ética e exigiu pagamento de multa no valor de 3,5 milhões de reais. A decisão teve como base a investigação conduzida pelo FBI que levou à cadeia outro ex-­presidente da CBF, José Maria Marin. Para os promotores americanos, Marin e Del Nero coordenavam um esquema de pagamento de propinas para a assinatura de contratos referentes aos direitos de transmissão das partidas do futebol sul-americano. Del Nero só não foi preso pela Justiça americana porque está no Brasil, e o Brasil não extradita seus nacionais.

Publicado em VEJA de 9 de maio de 2018, edição nº 2581

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