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O caçador de enigmas

Morre, aos 88 anos, o parapsicólogo padre Quevedo

“Isso non ecziste.” O famoso bordão criado pelo padre Quevedo popularizou-se em 2000, ano em que ele esteve à frente do quadro Caçador de Enigmas, do Fantástico, da Rede Globo. Na série, Quevedo desvendava fenômenos da natureza e revelava a verdade por trás dos truques de charlatões. Foi célebre, por exemplo, o episódio no qual encarou um sujeito que dizia encarnar Lúcifer. O padre evidenciou a mentira ao provar que o homem nem entendia hebraico, a língua com a qual o Anjo Caído teria se comunicado com Jesus, segundo trechos da Bíblia.

Conhecido por trejeitos excêntricos e pelo forte sotaque espanhol, Quevedo era um reconhecido estudioso de parapsicologia. Nascido em Madri, Oscar González Quevedo Bruzan formou-se em humanidades clássicas, filosofia e psicologia antes de tornar-se padre jesuíta. Radicou-se no Brasil nos anos 60 para iniciar a carreira de professor. Lecionou parapsicologia no Centro Universitário Salesiano de São Paulo e no Centro Latino-Americano de Parapsicologia, do qual foi diretor até a aposentadoria, em 2012. Ao todo, escreveu dezessete livros sobre o tema.

A fama veio na década de 70, quando, a convite da Globo, desmascarou em programas de TV o ilusionista israelense Uri Geller, que afirmava entortar colheres com supostos poderes paranormais. Após esse evento, realizou diversas participações na televisão, tornando-se rosto conhecido do público. Quevedo morreu aos 88 anos, na quarta-feira 9, em Belo Horizonte, de complicações cardíacas.

Memória em barro

Filho do celebrado artesão Mestre Vitalino (1909-1963), Severino Vitalino deu continuidade ao trabalho de retratar, em bonecos de barro, ícones do folclore nordestino, em especial os de Pernambuco. Nascido em Caruaru, cidade natal de sua família, trabalhou desde criança até os 23 anos ao lado do pai. Mesmo não tendo alcançado reconhecimento similar ao de Mestre Vitalino, que exibiu seus trabalhos no Masp, em São Paulo, em 1949, o que o catapultou para a fama internacional, com mostras na Suíça e na França — parte da obra está no Museu do Louvre —, Severino Vitalino teve papel determinante em preservar a memória do artista e dar continuidade ao estilo figurativo consagrado pelo pai. Morreu na segunda-feira 7, em Caruaru, aos 78 anos. Estava internado desde outubro, quando sofreu um infarto.

A voz alegre da rádio

O capixaba Aloísio Ovelha entrou para a Rede Gazeta em 1989. Lá, passou por todos os horários da rádio, tornando-se um dos nomes mais conhecidos da emissora. Célebre pela voz alegre, pelos comentários irreverentes e pelo jargão “Maravilha, maravilha”, completaria em 2019 exatos trinta anos de casa. Em junho de 2017, sofreu um AVC, do qual nunca se recuperou completamente. Na terça-feira 8, morreu de infecção generalizada, aos 55 anos, em Cariacica (ES).

A caminho do tribunal

Michael “Kit” Carson, ex-treinador de futebol de base na Inglaterra, começaria a ser julgado na segunda-­feira 7 por onze acusações de abuso sexual feitas por jovens jogadores de times que comandou. Os assédios teriam acontecido entre 1978 e 2009. Na manhã em que compareceria ao tribunal, morreu em um acidente de carro, aos 75 anos, perto de Bottisham, na Inglaterra.

Publicado em VEJA de 16 de janeiro de 2019, edição nº 2617