Clique e Assine a partir de R$ 9,90/mês

Menor, mas substancial

Mesmo sem escritores estelares e com elenco mais enxuto, a Flip conseguiu ampliar o público, que neste ano teve mais opções paralelas à programação central

Por Luísa Costa 3 ago 2018, 07h00

Encerrada no domingo 29, a 16ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) foi mais, digamos, apertada do que as edições anteriores. O número de autores foi menor: 33, contra 46 no ano passado. O orçamento também diminuiu: 5,3 milhões de reais, meio milhão a menos que o de 2017. E até o espaço físico no centro da cidade histórica foi reduzido. O auditório no qual o público pagante (ingressos a 55 reais por mesa) assistia ao evento foi montado bem perto da tenda onde se podia acompanhar, gratuitamente, a conversa literária por telão. No entanto, os organizadores comemoraram o aumento de público. No ano passado, foram 25 000 pessoas; agora, 26 400. A Flip está mesmo consolidada no calendário cultural brasileiro.

A programação, que já contou com prêmios Nobel e escritores que frequentam listas de mais vendidos, não teve nomes estelares. Os mais esperados eram Colson Whitehead, ganhador do Pulitzer 2017 com The Underground Railroad — Os Caminhos para a Liberdade, André Aciman, conhecido pela adaptação cinematográfica de seu romance Me Chame pelo Seu Nome, e Leïla Slimani, vencedora do Prêmio Goncourt, que lançou no Brasil seu segundo romance, Canção de Ninar. Ao lado do evento de abertura — Fernanda Montenegro lendo textos da escritora homenageada, Hilda Hilst —, as mesas de que esses três autores participaram foram as únicas que lotaram o auditório. Já não é uma festa exclusiva de “ratos de biblioteca”: a Flip teve mais atrações musicais e diversificou-se em 22 “casas parceiras” que promoviam uma programação paralela, às vezes com nítido acento político em ano eleitoral. Uma delas nem casa era: o barco da Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (Flipei) propôs-se a discutir os rumos do Brasil. O estêncil com o rosto de Lula e a presença de Guilherme Boulos deixavam claro para que lado estava virado o timão dessa nau.

A escritora que mais encantou os participantes da Flip ainda é relativamente desconhecida do leitor brasileiro. Com apenas um livro por aqui — a coletânea de contos de terror Era Uma Vez uma Mulher que Tentou Matar o Bebê da Vizinha —, a russa Liudmila Petruchévskaia, de 80 anos, era um problema para a organização: só fala sua língua nativa, e o filho fluente em inglês nem sempre estava por perto para servir de intérprete. Mas sua fala meio desencontrada, com anedotas da dura vida que levou na Rússia nos tempos soviéticos, conquistou a plateia. Que veio abaixo quando a escritora improvisou um show com cinco canções, incluindo uma versão russa de Besame Mucho.

Publicado em VEJA de 8 de agosto de 2018, edição nº 2594

Continua após a publicidade


Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique. Assine VEJA.

Impressa + Digital

Plano completo de VEJA. Acesso ilimitado aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias 24h e revista digital no app (celular/tablet).

Colunistas que refletem o jornalismo sério e de qualidade do time VEJA.

Receba semanalmente VEJA impressa mais Acesso imediato às edições digitais no App.



a partir de R$ 39,90/mês

MELHOR
OFERTA

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos de VEJA no site, com notícias 24h e ter acesso a edição digital no app, para celular e tablet. Edições de Veja liberadas no App de maneira imediata.

a partir de R$ 9,90/mês

ou

30% de desconto

1 ano por R$ 82,80
(cada mês sai por R$ 6,90)