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Memória: Bobby Morrow e Bonnie Pointer

Atleta e cantora faleceram nessa semana

Por Da Redação Atualizado em 12 jun 2020, 12h08 - Publicado em 12 jun 2020, 06h00

Nos Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim, a Olimpíada que Adolf Hitler pretendia usar como símbolo da superioridade da raça ariana, o negro Jesse Owens calou a boca do nazista — venceu as provas dos 100 metros rasos, dos 200 metros rasos, o revezamento 4×100 e o salto em distância. Vinte anos depois, em Melbourne, na Austrália, em 1956, outro americano repetiu parte do feito de Owens, ao levar o ouro nas três modalidades mais rápidas do atletismo: os 100, os 200 e o 4×100. Bobby Morrow, o único branco americano considerado o homem mais rápido do mundo em seu tempo, daria as mãos a Owens e se anteciparia aos feitos de Carl Lewis, em 1984, e aos de Usain Bolt, em 2012 e 2016.

Morrow aprendeu a correr na fazenda de seu pai no Texas quando saía em disparada atrás de coelhos. Sua principal característica, celebrada pelos especialistas e invejada pelos adversários de pista: a calma quase gélida. Em um clássico da literatura esportiva, The Complete Book of the Olympics, de David Wallechinsky, ele explicou essa impressão. “Todo o sucesso que tive era porque conseguia me manter tranquilo a ponto de sentir os músculos da mandíbula tremer”, disse. O atleta ainda tentaria competir na Olimpíada de Roma, em 1960, mas não conseguiu a classificação. Depois do esporte, trabalharia como corretor de seguros, dono de uma loja de roupas e agricultor, à sombra do vitorioso personagem do passado. Morreu em 31 de maio, de causas não reveladas, em Harligen, no Texas, aos 84 anos.


Embalos de sábado à noite

DISCO E R&B - Bonnie: gosto por se “aventurar em coisas novas” Harry Langdon/Getty Images

O quarteto feminino americano The Pointer Sisters pôs meio mundo para dançar nos anos 1970 e 1980 com peças agitadas de disco music e rhythm and blues. A mais jovem da banda, Bonnie Pointer, cedo percebeu que poderia seguir carreira-solo. Fez sucesso em 1978 com Heaven Must Have Sent You e não parou mais. Uma de sua canções, Free Me From My Freedom, que andava no topo das paradas americanas, foi abruptamente desprogramada das rádios porque viram na letra, denunciada por lideranças conservadoras, insinuações de sexo sadomasoquista. Bonnie ria e provocava: “Sou o tipo de pessoa que gosta de se aventurar em novas coisas”, dizia. Ela morreu em 8 de junho, de causas não divulgadas, em Oakland, aos 69 anos.


Revelado:

O assassino do ex-­premiê da Suécia Olof Palme, que levou tiros pelas costas ao sair de um cinema de Estocolmo, ao lado da mulher, e sem guarda-costas, em 1986. A promotoria pública citou o nome de um designer gráfico que trabalhava com seguros, Stig Engstrom, como o criminoso, encerrando três décadas de investigações. Engstrom cometeu suicídio em 2020. Ele agiu sozinho, sem conexões políticas nem atrelado a grupo terrorista. O filho de Palme, Marten, aceitou o resultado divulgado pelos promotores e também deu o caso por encerrado. Dia 10, em Estocolmo.

Publicado em VEJA de 17 de junho de 2020, edição nº 2691

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