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Lista negra

Os bancos estão restringindo o crédito e fiscalizando com mais rigor as contas-correntes de políticos investigados pela Operação Lava-Jato

Por Thiago Bronzatto - 1 dez 2017, 06h00

Graças ao foro privilegiado, os políticos envolvidos na Lava-Jato se mantêm longe da cadeia, mas não escapam de enfrentar situações embaraçosas. A última delas tem afetado diretamente a vida financeira dos parlamentares. Alguns, depois de se tornar alvo de delações premiadas, passaram a encontrar dificuldades para operar ou abrir contas bancárias e também para obter empréstimos. Isso porque os bancos começaram a restringir suas respectivas carteiras de clientes especiais — “pessoas politicamente expostas”, assim chamados os deputados, senadores, presidentes de partido e seus familiares. Com isso, os bancos aumentaram o rigor da fiscalização sobre os nomes citados na maior investigação de corrupção na história do país. Esse procedimento, inédito, tem incomodado.

Na lista negra dos bancos apareceu, por exemplo, o deputado João Carlos Bacelar. O parlamentar foi acusado de pedir 150 milhões de reais ao empresário Joesley Batista, dono da JBS, para comprar votos de trinta deputados contra o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. O congressista também é investigado em dois inquéritos que apuram a suspeita de recebimento de propina da Odebrecht, o favorecimento da empreiteira na aprovação de uma medida provisória e uma manobra para evitar a convocação de executivos da empresa Santo Antônio Energia numa Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Esse cadastro suspeito levou um banco a restringir a concessão de novos empréstimos a Bacelar e a cogitar fechar sua conta bancária. O deputado se queixou à presidência da Câmara e já procurou orientação jurídica para saber como proceder.

No Senado, o impasse é semelhante. As empresas da família do senador Jader Barbalho (acusado de receber propina da Transpetro) passaram a ter dificuldades para contratar novos empréstimos. O mesmo ocorreu com o empresário Edison Lobão Filho, suplente e filho do senador Edison Lobão (acusado de receber propina da obra da usina de Belo Monte). O empresário pediu, em nome de sua filha, um financiamento para comprar um carro importado. A operação foi recusada. Procurados, Bacelar, a família Barbalho e Lobão Filho negam que tenham enfrentado qualquer problema com os bancos nos quais têm contas. Delatores já acusaram mais de 200 parlamentares de envolvimento em caixa dois e propina. “É mais ou menos o seguinte o que vem acontecendo: você está acostumado a dirigir acima da velocidade e fica sabendo que tem um radar o tempo todo. Assim, você vai dirigir com mais cuidado”, explica o vice-­presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Alvir Hoffmann.

Publicado em VEJA de 6 de dezembro de 2017, edição nº 2559

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