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Latino: “Ele me trata bem”

O cantor fala de seu jingle para o pré-candidato à Presidência Flávio Rocha e de sua nova macaca — sim, macaca — de 100 000 reais

O jingle para Flávio Rocha foi espontâneo? Totalmente. Não ganhei nada. A ideia nasceu enquanto dirigia na Via Dutra. Pensei: “Poxa, eu queria que o Flávio fosse presidente. Mas como fazer para que as pessoas acreditem nele?”. Daí me veio aquela expressão de força nordestina: arrochar. O Flávio é tímido. Precisa de um arrocha.

Precisa de um arrocha? Sim, ele é tímido mesmo. Meus amigos artistas estão fugindo do Brasil. Eu quero viver e morrer aqui. Preciso ajudar. Vira e mexe um partido me convida, mas fujo.

Como conheceu o candidato? Não tenho amizade de frequentar a casa, mas ele foi meu padrinho de casamento. Fiz muito showmício na vida, e me desiludi com tanto discurso inflamado de político hipócrita. Me senti usado. De repente, surge um cara que me trata bem. Meus encontros com ele sempre foram casuais. Uma vez, fui à igreja dele (desde 2015, Latino frequenta uma igreja batista) com o dono do Habib’s, e ele estava com a mulher e os três filhos. É o casal mais bonito que conheço.

O jingle diz que Rocha, cujo patrimônio familiar é de 1,3 bilhão de dólares, é “gente como a gente”. É isso mesmo? Em dez anos, fui contratado duas vezes para shows da família. Na primeira, quando ele fez o orçamento, meu escritório sugeriu: “Dono da Riachuelo? Vamos cobrar mais”. Pois ele ligou dizendo que só tinha X para pagar. Ali, o homem me ganhou: na transparência.

Qual de suas propostas mais admira? Gosto da honestidade dele.

O senhor se arrependeu do apoio a Aécio Neves em 2014? Não me agrada falar nisso. Foi uma grande decepção. Gosto de Aécio como colega. Fiz show para a mulher e a filha dele. Quando fui a Brasília, ele me levou para jantar. É bom político e sabe fazer networking, mas agradeço todo dia por não ter aceitado fazer um jingle quando o pessoal dele me pediu em 2014.

De onde vem seu amor pelos macacos? Tenho uma paixão pelos bichos e uma identificação quase espiritual com eles. Quando o Twelves (seu antigo macaco) morreu, eu disse que não compraria outro tão cedo. Com pedigree e licença do Ibama, eles custam caro — 100 000 reais. Mas ganhei uma nova macaca de presente da Ana Paola Diniz, sobrinha da Lucilia Diniz. Dei ao bicho o nome de Ana Paula, em homenagem a ela. Tenho muito prestígio entre os milionários.

O senhor assumiu a paternidade do seu nono filho. Como é ter tantos herdeiros? Conviver com os filhos é fácil. O problema são as ex. Tenho muitas brigas por causa de pensão, sempre há um juiz querendo me prender. Não conseguia pagar mais uma, então reconheci o Guilherme e dei a ele emprego na minha equipe. As pessoas acham que sou milionário, mas estou longe disso.

Publicado em VEJA de 18 de julho de 2018, edição nº 2591