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James C. Hunter: Liderança exige caráter

De passagem pelo Brasil — onde seu livro já vendeu 3 milhões de exemplares —, o consultor americano explicou por que Trump não é um “líder servidor”

Por Patrícia Holando 7 set 2018, 07h00

O personagem de O Monge e o Executivo aprende liderança em um mosteiro. O senhor já fez um retiro nesses moldes? Sim. Para escrever o livro, passei uma semana em um mosteiro beneditino no Estado de Indiana. Fui como repórter, para ver como os monges viviam. Tudo o que o livro relata — as sessões de orações, por exemplo — é a prática real dos beneditinos.

O senhor é religioso? Li a Bíblia e me considero um seguidor de Jesus. Mas não tenho uma igreja — não sou batista, católico ou algo do tipo.

O que o leitor não cristão pode aprender com O Monge e o Executivo?Não escrevi sobre religião, mas sobre a regra de ouro: seja para as pessoas o que você gostaria que elas fossem para você. Mesmo os ateus concordam com isso. Você não precisa ser uma pessoa religiosa para ser um bom líder. Entre os indivíduos que conheço, a maioria daqueles que chamo de líderes servidores não vai à igreja, mas sabe amar e está tentando se tornar um ser humano melhor.

O que é preciso para ser, nos seus termos, um “líder servidor”? Tudo se resume ao comportamento. Não pensar só em si mesmo, mas nas pessoas ao redor. Ser gentil, mesmo quando você não está em um bom dia. Ser honesto com as pessoas, falar a verdade sobre como elas estão se saindo — mas também saber a hora de apertar, de repreender. Para ajudá-las, você precisa fazer as duas coisas.

O que falta aos líderes políticos hoje? Caráter. As pessoas estão muito vulgares hoje, e um exemplo é Trump e seus tuítes. O líder precisa promover integridade, honestidade, gentileza — valores antigos que estamos perdendo. Isso é triste. Rezamos para que as coisas melhorem.

Por que seu livro foi tão bem-sucedido no Brasil? Minha mulher diz que, se alguém sabe explicar algo, então não é obra de Deus. Cerca de 70% das minhas vendas foram no Brasil. Falei com muitas pessoas sobre isso, mas ninguém sabe dizer por quê.

O Monge e o Executivo é um livro de negócios ou de autoajuda? Acho que é as duas coisas. Nas livrarias dos Estados Unidos ele fica na seção de negócios. Aqui no Brasil é mais pessoal — o livro fez sucesso porque as pessoas o deram de presente a amigos e familiares. De qualquer maneira, trato de mudanças e de crescimento pessoal, e explico como ser uma pessoa melhor fará de você um líder melhor. Esses não são conceitos de negócios.

Publicado em VEJA de 12 de setembro de 2018, edição nº 2599

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