Clique e assine com 88% de desconto

Estão procurando um teto?

Não. Os miltantes do MTST estavam apenas em busca de barulho inóquo

Por Diogo Schelp - 20 abr 2018, 06h00

O Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) perdeu uma oportunidade de ouro de encontrar um teto na semana passada. Na segunda-feira 16, um punhado de militantes fez uma ocupação-relâmpago do tríplex do ex-presidente Lula. Eles pularam as grades do condomínio e abriram um portão de banhistas para permitir a entrada de mais duas dezenas de parceiros. Subiram pela escada os dezesseis andares até o apartamento vazio que a OAS reservou para Lula em troca de mamatas no governo. A porta foi arrombada e o grupo estendeu bandeiras nas sacadas do tríplex com as frases: “Se é do Lula, é nosso. Se não é, por que prendeu?”. Três horas depois da chegada da polícia, os sem-teto deixaram alegremente o apartamento. Não estavam em busca de teto. Apenas de barulho inócuo. O líder do MTST e pré-candidato à Presidência da República pelo PSOL, Guilherme Boulos, que não participou da ocupação, argumentou depois que, se Lula fosse o verdadeiro proprietário do imóvel, só ele poderia exigir a reintegração de posse. É um sofisma: na sentença que condenou Lula, está claro que a questão não é a titularidade do imóvel, mas seu uso para lavagem de dinheiro de corrupção. Não fosse isso, seria o caso de perguntar: por que o MTST, cujos integrantes não têm onde morar, não pediu o teto à OAS? Os sem-teto fazem o mesmo jogo de cena dos militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, o MST. A ideia não é obter moradias, tampouco terra para quem nela trabalha. É manter acesa a indignação da militância com a prisão de Lula — e torcer para que não se apague.

Publicado em VEJA de 25 de abril de 2018, edição nº 2579

Publicidade