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Eles sofrem mais

Estudo mostra que homens são mais vulneráveis que mulheres a resfriados e gripes. A explicação está em como os gêneros evoluíram de forma distinta

Ao longo dos anos, o estereótipo do homem resfriado, que aparenta sofrer mais do que uma mulher com a infecção, ganhou tanta força que a expressão “gripe masculina” entrou para os prestigiosos dicionários das universidades inglesas de Cambridge e Oxford. Nesse último, o termo é descrito como “um resfriado vivido por um homem que exagera a severidade dos sintomas”. Até a publicação de um estudo na segunda-feira 11, conduzido pela universidade canadense de Newfoundland, a reação do sexo masculino às gripes era tida como um drama desnecessário. Com a nova pesquisa, fica claro que existem motivos para o descompasso.

Ao revisar dados a respeito do tema, o médico Kyle Sue, coordenador do estudo, percebeu que homens apresentam um risco maior de internação e taxas elevadas de morte associada ao vírus influenza, se comparados a mulheres da mesma idade. “Existia um estereótipo segundo o qual eles extrapolavam os sintomas. Sabendo que não se trata de exagero, podemos pensar em tratamentos diferenciados para homens e mulheres”, afirmou Sue a VEJA.

De acordo com a pesquisa, a diferença está no desenvolvimento do sistema imunológico. Por causa dos níveis de testosterona elevados, o que ajuda a construir os músculos, os homens têm uma resposta menos eficiente à infecção. Enquanto isso, a maior presença de estrogênio nas mulheres está associada a uma facilidade no combate ao mesmo mal. Em contrapartida, elas têm mais doenças auto­imunes, como o lúpus, porque seu sistema imunológico é mais ativo. Em vez de gastarem energia no fortalecimento de sua imunologia, os homens evoluíram de outra maneira, para garantir o papel de defensores da família. É o que explica terem, por exemplo, maior estatura do que as mulheres. Por mais que se batalhe — muito justamente — pela igualdade de gêneros na sociedade, na biologia algumas distinções se revelam intransponíveis.

Publicado em VEJA de 20 de dezembro de 2017, edição nº 2561