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Datas: Tomisaku Kawasaki e Edén Pastora

O pediatra japonês e o “comandante zero”

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 jun 2020, 06h00 | Atualizado em 4 jun 2024, 14h12

O pediatra japonês Tomisaku Kawasaki tinha uma característica de personalidade que o fazia andar sempre um pouco à frente de seus pares: a persistência. Em 1967, aos 42 anos, ele publicou um minucioso estudo em torno dos sintomas de uma doença que lhe parecia diferente de tudo o que tinha visto até então. Acometia crianças pequenas, de até 5 anos, com inflamação e inchaço dos vasos sanguíneos, febre e erupção cutânea, além de olhos vermelhos e lábios secos ou rachados. Ninguém deu muita atenção — contudo, o passar dos anos, novos trabalhos e resultados cada vez mais nítidos fizeram a comunidade científica internacional se debruçar mais cuidadosamente sobre a investigação original. E então, como vitória da medicina, deu-se à enfermidade o nome de seu descobridor, a doença de Kawasaki, ou KD, na sigla em inglês, atalho para o desenvolvimento de medicamentos.

Recentemente, Kawasaki voltou a ganhar relevância, com o registro de casos semelhantes à doença identificada pioneiramente por ele em uma centena de episódios de meninos e meninas com resultado positivo para Covid-19. Houve relatos de pediatras de Nova York e do Reino Unido, depois confirmados por um artigo na prestigiada revista britânica The Lancet, com base em levantamentos feitos em Bérgamo, epicentro da contaminação na Itália. No entanto, e felizmente, houve pouquíssimas mortes. A associação entre a KD e o Sars-CoV-2 ainda está sendo investigada, mas, graças ao esforço de Kawasaki, sabe-se que a aplicação de hemoglobina humana, obtida por meio de plasma, é tratamento eficaz e tranquilizador. Ele morreu aos 95 anos, em 5 de junho, em Tóquio, de causas não reveladas.


A virada do “Comandante Zero”

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REALIDADE - O guerrilheiro: crítico feroz do ditador Daniel Ortega (Claude Urraca/Sygma/Getty Images)

Poucas figuras foram mais emblemáticas do movimento revolucionário que apeou do poder a ditadura de Anastasio Somoza, na Nicarágua, em 1979, do que o guerrilheiro Edén Pastora, o “comandante zero”. Estudante de medicina e pescador de tubarões, Pastora atravessou um arco de vida que foi da liderança da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) a crítico feroz dos desvios e atrocidades do regime de esquerda comandado por Daniel Ortega, o número 1 da nova ordem. Desde 2007, quando foi derrotado por Ortega nas eleições presidenciais, o ex-­parceiro de armas se transformou numa das vozes mais agressivas contra a ditadura, hoje internacionalmente rechaçada. Em relação ao surto do novo coronavírus, a conduta nicaraguense é exemplo do que não deve ser feito, com tratamentos negligenciados e estatística camuflada. O atestado de óbito de Pastora apontou broncopneumonia — os opositores de Ortega não descartam Covid-19, embora a família negue a informação. O governo da Nicarágua tem achatado artificialmente a curva pandêmica anotando como causa mortis pneumonia e enfermidades similares, e não o vírus Sars-­CoV-2. Pastora tinha 83 anos. Morreu em 16 de junho, em Manágua.

Publicado em VEJA de 24 de junho de 2020, edição nº 2692

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