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Ciência para todos

Nunca a ciência foi tão popular e acessível. Isso se deve ao trabalho da imprensa e à disposição dos cientistas de traduzir a complexidade de suas ideias

Em seus quase cinquenta anos de história, VEJA sempre acompanhou a fascinante aventura intelectual destinada a entender os mistérios do universo — e nunca deixou de retratar seus personagens exponenciais, como demonstram as capas ao lado. Em junho de 1988, há três décadas, a revista trouxe uma reportagem de capa sob o título “O cosmos do gênio”. A matéria era uma instrutiva viagem pelas ideias de um cientista que estava lançando um livro intitulado Uma Breve História do Tempo. O cientista chamava-se Stephen Hawking, tinha 46 anos, já não falava nem andava, mas era a prova viva das possibilidades ilimitadas da mente humana. Daquele momento em diante, com a venda de mais de 10 milhões de exemplares do seu livro, Hawking começou a alçar-se à condição de Albert Einstein do fim do século XX.

Com sua morte, ocorrida na semana passada, VEJA volta a dedicar suas páginas ao físico inglês, cumprindo uma mesma missão editorial: a de tentar ampliar ao máximo possível o número de pessoas capazes de compreender a beleza de desvendar os segredos do universo. Nunca, antes de nosso tempo, a ciência foi tão popular e tão acessível. Albert Einstein foi o primeiro cientista pop da história da humanidade, tal como Pablo Picasso se tornou o primeiro pintor mundialmente famoso ainda em vida. E isso se deve, em boa medida, ao trabalho da imprensa e, sobretudo, à disposição cada vez mais frequente dos cientistas de traduzir a complexidade de suas ideias para uma linguagem acessível.

Nessa tarefa de divulgador científico, o astrônomo Carl Sagan foi inigualável, ele que também saiu na capa de VEJA numa edição de 1996. Nos anos 1980, na esteira do extraordinário interesse pela física teórica, chegou à televisão a fabulosa série Cosmos, escrita e apresentada por Sagan. Desde então, entrando nos primeiros anos deste século, Hawking começou a disputar a condição de popularizador da ciência e, em seus 76 anos de vida, escreveu sete livros, entre os quais O Universo numa Casca de Noz, que também virou um best-seller mundial. Enquanto sua obra se tornava cada vez mais popular, ele próprio transformou-se num ídolo pop, chamando atenção também em razão da esclerose lateral amiotrófica que o prendeu por 55 anos a uma cadeira de rodas mas não suprimiu em nada seu brilhantismo, sua imaginação e sua poderosa capacidade de abstração.

Reportagem detalha a vida e a obra de um gênio que iluminou alguns dos segredos do universo, numa estrada que começou com Galileu Galilei, passou por Isaac Newton e chegou a Albert Einstein, todos eles da linhagem de Hawking, que morreu com um desejo: “Meu objetivo é decifrar todos os enigmas do Universo”.

Publicado em VEJA de 21 de março de 2018, edição nº 2574