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Carta ao Leitor: Biografia de cifrões

A foto dos 51 milhões de reais de Geddel permanecerá firme no imaginário nacional sobre os deslimites da corrupção.

A crônica dos escândalos nacionais habituou o brasileiro à imagem de dinheiro vivo em mochilas, cuecas, calcinhas, malas — mas nada preparou o país para a fotografia dos 51 milhões de reais, guardados em um apartamento-cofre, que levaram o ex-ministro Geddel Vieira Lima de volta à prisão. É possível que, amanhã ou depois, apareça uma imagem ainda mais superlativa para ilustrar os desvãos da roubalheira, mas, até que isso aconteça, a foto dos 51 milhões de reais de Geddel permanecerá firme no imaginário nacional sobre os deslimites da corrupção.

Desde o primeiro instante em que a Polícia Federal divulgou a dinheirama, VEJA interessou-se por conhecer a biografia daqueles cifrões. De início, diante de tanto dinheiro, duas conclusões quase unânimes se produziram: aquilo não poderia ser obra de um único ladrão, muito menos saldo de roubo recente. Com certeza, haveria dezenas de envolvidos em crimes diversos e a dinheirama toda seria produto de alguns anos de militância criminal.

VEJA destacou o repórter Ullisses Campbell para seguir o rastro do dinheiro em Salvador. Seu trabalho constatou que nenhuma das duas conclusões, que pareciam tão óbvias, corresponde inteiramente à realidade: tudo indica que o dinheiro todo era mesmo coisa de Geddel e asseclas, e não de quadrilhas diferentes, e a polícia estima que a soma tenha sido acumulada ao longo de apenas um ano. Só não se sabe, ainda, se o dinheiro vinha sendo roubado havia um ano ou se estava apenas sendo transferido para o apartamento em Salvador nos últimos doze meses.

A apuração de Campbell mostra que, como suspeita a polícia, o apartamento fazia as vezes de um “banco clandestino”. O repórter entrevistou quinze pessoas — entre vizinhos, entregadores e policiais — para reconstituir parte da história. Conta ele: “Diversos moradores do prédio estavam assustados com o risco que acreditavam haver corrido por terem dormido ao lado daquela fortuna”. Agora, estão aliviados. O prédio, aliás, virou ponto de selfies entre os moradores da vizinhança.

Publicado em VEJA de 20 de setembro de 2017, edição nº 2548

Comentários

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  1. luiz Carlos de Farias

    O Banco Central do Brasil, possui legislação especifica que identifica saques em valores elevados. O que tem a informar a respeito de tanto numerário sacado de Agências Bancárias, sem a devida identificação de seus portadores. Algo muito sério esta ocorrendo nestes casos de não observância das normas. Gostaria de saber a opinião e o posicionamento do Banco Central a respeito.

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  2. Anitta M Morgado

    Para mim é óbvio que o dinheiro é recente. Ninguém perderia tanto com a inflação. E muito recente, porque não deu tempo de lavá-lo, o que provavelmente eles iam fazer. Apesar das notícias diárias, os ingênuos ainda não acreditam que é possível roubar tanto.

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  3. Geddel é o símbolo maldito da corrupção. O que esperamos é que ele e outros corruptos como ele sejam condenados e mofem na cadeia.

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  4. ViP Berbigao

    Na Europa, países sérios e evoluídos estão abolindo o dinheiro impresso (FIAT) ou em vias. Será porquê? kkkk Aqui nem sonhando não é mesmo que o nosso Esgoto Nacional vai legislar contra os próprios interesses… hahah

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