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Camisa de força

Assessores de Trump atuam heroicamente para reduzir o potencial explosivo do presidente, ignorando suas ordens ou roubando seus papéis

Por Duda Teixeira 7 set 2018, 07h00

Toda vez que o presidente americano Donald Trump escreve um tuíte ou comunica uma decisão, uma parte do planeta vira do avesso. Mas o que de fato é divulgado é apenas uma fração de seu potencial destrutivo. Segundo o livro Fear: Trump in the White House (“Medo: Trump na Casa Branca”), de autoria do jornalista americano Bob Woodward, assessores do presidente trabalham incessantemente para evitar que ele tome atitudes que possam desestabilizar a paz ou jogar contra os interesses dos Estados Unidos. A obra será lançada na terça 11 nos Estados Unidos, e a versão em português chegará ao Brasil pela Todavia, em novembro.

Em uma das cenas relatadas, o ex-­conselheiro econômico Gary Cohn deparou com um documento em cima da mesa de Trump. Era uma carta que retirava o país de um acordo com a Coreia do Sul. Cohn surrupiou o papel. “Eu roubei de sua mesa”, disse Cohn para um terceiro, de acordo com o livro. “Eu não poderia deixá-lo ver aquilo. Ele nunca vai chegar a vê-lo. Eu tinha de proteger o país.” A saída americana poderia afetar um acerto entre os dois países, que permite aos Estados Unidos detectar um míssil da Coreia do Norte apenas sete segundos após o lançamento. Sem isso, a única opção seria usar uma base do Alasca, que só consegue captar uma ameaça vinda da península coreana após quinze minutos de voo. Em outro momento do livro, o autor conta que Trump ordena o assassinato do ditador sírio Bashar Assad após um ataque químico contra civis. “Vamos matá-lo, p…! Vamos lá. Vamos matar toda essa gente de m…”, ordenou o presidente a James Mattis, que continua como secretário de Defesa. Quando desligou o telefone, Mattis disse a um assessor: “Não vamos fazer nada disso”. A ordem de Trump caiu no vazio.

Em seu livro, Woodward conta que os funcionários da Casa Bran­ca se organizaram para conter o mandatário. Quando se estudava um depoimento de Trump ao procurador-geral Robert Muel­ler, um dos advogados, John Dowd, sugeriu que ele passasse por uma simulação antes. Trump foi um desastre e desistiu. Por enquanto. Outra iniciativa, a de criar um comitê para analisar seus tuítes antes da publicação, também fracassou. O presidente costuma imprimir os tuítes que posta para saber qual teve maior repercussão. Ele protestou quando o Twitter dobrou o tamanho do texto. “É uma pena, porque eu era o Ernest Hemingway dos 140 caracteres”, disse. A sério.

Woodward é uma lenda no jornalismo. Com seu colega Carl Bernstein, cobriu para o jornal The Washington Post o caso Watergate, que levou à renúncia do presidente Richard Nixon, em 1974. Em entrevista à rede CNN, Bernstein refletiu sobre as revelações da obra. “Cabe aos membros dos dois partidos tratar a Presidência de Trump como uma emergência nacional. No Watergate, o sistema funcionou porque os republicanos e a sociedade entenderam que não podemos ter um presidente que é um criminoso ou que é um perigo para o país”, afirmou Bernstein. “A situação atual é muito mais perigosa.”

Publicado em VEJA de 12 de setembro de 2018, edição nº 2599

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