Amauri Ribeiro: “Cuido dela direitinho”

O deputado estadual de Goiás pelo PRP esclarece por que surgiu de chapelão na cabeça e com a esposa no colo na cerimônia de posse

Por Raquel Carneiro - 8 fev 2019, 07h00

Por que sua mulher, Christiane, se sentou no seu colo na cerimônia de posse? Percebi uma senhora de pé, reclamando de dores no joelho. Como não tinha mais cadeira, entreguei a minha para ela. Fiquei de pé, mas estava atrapalhando a visão das pessoas. Então, pedi que minha esposa se levantasse e se sentasse no meu colo. Ficamos assim por menos de um minuto, até o segurança arranjar outra cadeira.

O que achou da repercussão nas redes sociais? Minha esposa foi ofendida, eu fui atacado. Mas tenho a consciência tranquila. Se eu ficasse em pé, iam dizer: “Olha o cavalo burro da roça”. E, se ela ficasse em pé, eu seria o “cavalo desrespeitoso”.

E sua mulher, como reagiu? Ficou feliz de falarem que ela é muito mais nova que eu, que teria metade da minha idade. Eu tenho 46 anos, ela, 42. Estamos juntos há 25 anos. A cara de nova é porque eu sou um marido zeloso. Cuido dela direitinho.

O uso do chapéu exprime algum tipo de posicionamento político? Não. Eu sou da roça, com orgulho. Uso chapéu até para ir ao mercado. E não é porque sou meio careca, não. Eu gosto, e é uma necessidade. Tenho sensibilidade à luz. Eu me acostumei tanto que às vezes, dentro de casa, minha mulher fala: “Tira o chapéu”. Fiquei conhecido como o vereador do chapéu, depois prefeito do chapéu, agora deputado do chapéu.

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O senhor tem fama de brigão. Pretende mudar? De jeito nenhum. Se um cara amarrar um cabrestinho em mim, ele pode puxar, mas não vai me tocar, não. Querem atingir minha família, pois não existe nada que me fira como político. Sou correto. O problema é que fiz denúncias de farra com dinheiro público e por isso sou um cara malquisto na política.

É mesmo? Uma vez, num programa de humor na rádio, me perguntaram se meninos na roça gostavam de cabritas. Brincando, eu falei que comia de tudo. Agora, estão dizendo que confessei zoo­filia. Eu nem sabia o que era isso, tive de perguntar. Também virou notícia que espanquei minha filha. Eu apliquei um corretivo nela há quatro anos, porque sou pai e educo como acho melhor. Hoje estamos bem, ela me ama, é uma ótima filha. Foi a primeira e única surra que ela levou na vida. É o jogo podre da política, estão querendo me denegrir.

Publicado em VEJA de 13 de fevereiro de 2019, edição nº 2621

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