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Alternativa e televisiva

Morre, aos 87 anos, a atriz Etty Fraser, aguerrida defensora dos direitos da classe artística e uma das fundadoras do Teatro Oficina

O riso fácil e o jeito bonachão fizeram de Etty Fraser uma figura querida na televisão brasileira. O telespectador deve guardar a memória de alguma vovó simpática ou vizinha enxerida que ela viveu nas novelas. Sua última participação no gênero foi em Uma Rosa com Amor, exibida pelo SBT em 2010, mas bem antes disso ela atuou em produções marcantes como o sucesso Sassaricando (Globo), de 1987, e a ino­vadora Beto Rockfeller (Tupi), de 1968. Os mais nostálgicos poderão ainda recordar a jurada do Show de Calouros, de Silvio Santos, ou a apresentadora de programas culinários na antiga Tupi, na Bandeirantes e na Record — fazendo-se valer de seus dotes como atriz, ela passava a impressão de ser uma cozinheira consumada, quando na verdade sabia só o trivial do fogão. E Etty Fraser não se limitou à televisão: a atriz carioca foi uma das fundadoras do Teatro Oficina, ao lado do diretor José Celso Martinez Corrêa. Atuou em um dos mais emblemáticos espetáculos do malucão Zé Celso: a histórica montagem de O Rei da Vela, peça do antropófago Oswald de Andrade, em 1967. Também integrou o elenco de Os Inimigos, do russo Máximo Gorki.

No cinema, Etty Fraser esteve em São Paulo, Sociedade Anônima, de Luiz Sérgio Person, e em Durval Discos, de Anna Muylaert, entre outras produções. Foi uma aguerrida defensora dos direitos da classe artística. Nos últimos meses, passou por várias internações, devido a problemas cardíacos — que a levaram em 31 de dezembro de 2018, aos 87 anos, em São Paulo.


A cara do Clube da Esquina

Carlos Filho, o Cafi, fez fotos para mais de 250 capas de disco. Ficaram para a história, em especial, aquelas dedicadas aos músicos do Clube da Esquina — é ele o autor da célebre imagem dos dois meninos na beira de uma estrada que ilustra o álbum de 1972 do grupo mineiro, e também da foto de um par de tênis no primeiro disco-solo de Lô Borges. Francis Hime, Jards Macalé e Cássia Eller passaram pelas lentes do recifense radicado no Rio. Cafi morreu de ataque cardíaco enquanto acompanhava a virada do ano na Praia do Arpoador. Tinha 68 anos.


Duracell da comédia

HUMOR BRITÂNICO – June Whitfield na série ‘Absolutely Fabulous’

HUMOR BRITÂNICO – June Whitfield na série ‘Absolutely Fabulous’ (Don Smith/Radio Times/Getty Images)

Formada na Academia Real de Artes Dramáticas de Londres, June ­Whitfield começou em programas de humor no rádio, nos anos 40, e daí seguiu para a televisão, quase sempre em papéis cômicos — sua longevidade no gênero lhe valeu o apelido de “Duracell da comédia”, em alusão ao comercial da pilha. O ápice de sua popularidade deu-se já tarde, com a personagem da mãe (sem nome) no sarcástico sitcom Absolutely Fabulous, fenômeno na Inglaterra, que durou de 1992 a 2012. June morreu aos 93 anos, de causas naturais, em Londres, em 28 de dezembro de 2018.

Publicado em VEJA de 9 de janeiro de 2019, edição nº 2616